“Expedição Tempos e Contratempos – mas foi fofinho!”

mca - 2009/10/24

3 – OUT – 2009

Foi com grande entusiasmo que aceitei mais este desafio de ir fazer geocaching ao Gerês. Aliás, já vai sendo um hábito e eu encaro isto como um balão de oxigénio para me dar forças para enfrentar mais uns meses de trabalho e de vida citadina.

Nos últimos 4 anos tenho ido diversas vezes ao Gerês e confesso que cada vez gosto mais. Adoro mesmo! Muito me entristece por isso que cada vez seja mais difícil lá ir, já que as autoridades ao pretenderem (e bem) controlar o que lá se passa para preservar a fauna e a flora entram ‘a direito’ e proibem uma boa parte dos acessos, em vez de criarem mecanismos de controlo que permitam saber sempre quem está e onde está, sem condicionar por completo o acesso aos mesmos. Mas adiante.

O dia iniciou-se à 1h00 da manhã com o encontro habitual em Lisboa para nos fazermos à estrada a caminho do Gerês, onde chegámos às 5h00 após uma viagem que teria sido tranquila, não fosse quase termos atropelado um pequeno cavalo no meio da estrada já na zona do Gerês. Felizmente ele viu-nos e desviou-se e nós idem.

Chegados ao ponto de encontro, onde estava um frio considerável, lá aguardámos que chegassem todos e assim nos fizémos à estrada a caminho da Lost Lagoon, zona onde se iniciaria a nossa caminhada. Pelo meio houve paragens para tomar o pequeno almoço mas eu sinceramente não dei por nada, pois dormitava no banco de trás.

Chegados à Lost Lagoon houve tempo para um rápido log e de seguida fizemo-nos ao trilho do tipo estradão, sempre a subir, e com a temperatura a ficar mais amena, lá fomos a passo tranquilo, na conversa, a apreciar a beleza do trilho. A primeira paragem foi no ponto inicial da Paradise Called Gerês, onde alguns subiram para recolher ‘algo’ que nos permitiria encontrar a cache final um pouco mais à frente, junto às lagoas que são lindas mas que nesta altura estão secas.

Houve tempo para os logs, para petiscos e para o Mantunes recordar os seus encontros imediatos do 3º grau da há uns meses com os bois e as vacas…

No final, regressámos ao trilho e fizémos uma paragem para um reforço alimentar daqueles…

De seguida, prosseguimos para a cache dedicada aos Expedicionários. A todos em geral e a alguns em particular. Esta ia ser especial. E foi. Para além de termos cortado a direito fora de trilho desde cedo, para evitar descer muito e ter que voltar a subir, o ataque final foi brutal. Aliás, o sítio é brutal e as vistas são brutais. E eu apeteceu-me fazer isto à Clcortez e fiz uma subida brutal. E para quem não sabe, eu tenho vertigens. Ligeiras, é certo, mas são vertigens.
Enquanto a maioria do grupo atacou os cumes pela direita, passando pelas minas do Borrageiro, eu segui o MitoriGeikos pela esquerda. Ele já lá tinha estado e sabia que dava para subir por ali. Mas eu armei-me em campeão e quando achei que já dava para subir a direito, assim o fiz. Chegado a 2/3 da subida, e estava sozinho a subir por ali, achei que estava demasiado perigoso e voltei a descer uns metros… Já não havia sinal do MitoriGeikos pelo que contornei um pouco pela esquerda e mal vi a ‘fenda’ entre os dois cumes, lembrei-me da Nevosa e fiz-me à subida, pensando que ele teria subido por ali. Má decisão.
Chegado a 1/3 da subida, e estando já a sentir um nervoso miudinho com a altura da encosta atrás de mim, comecei a sentir dificuldades em progredir. Havia grandes blocos à minha frente, com 5 ou 6 metros de altura e eu não estava a ver como ia continuar a subir. Mas como voltar para baixo estava a ficar cada vez mais complicado, decidi continuar. Estava sozinho por isso usei a cabeça, mais do que a determinação (que também era muita), para progredir com muita prudência e não me colocar em situações complicadas do género de cair para algum sítio de onde não conseguisse sair.

Nesta altura decidi também ligar o rádio, para poder a qualquer momento falar com alguém se necessitasse de ajuda. Estava num ponto em que tinha que subir verticalmente uns 3 metros, ou por um lado ou por outro. Literalmente na vertical. Um dos lados tinha socalcos tipo escadas mas era inclinado para trás ficando assim fora de questão. Ataquei o outro e subi com destreza e determinação e sem olhar para trás. Ultrapassado esse obstáculo, entrei numa zona que foi a pior. Para já, era impossível voltar para trás, descer o que tinha acabado de subir. Por outro lado, no meio de pedras muito grandes, havia mato muito muito denso que cobria buracos enormes entre as pedras. Um pé em falso e podia cair num desses buracos e ficar retido no meio dos arbustos densos e rijos.
Tentei progredir como podia, muito lentamente. 1 ou 2 metros a cada 5 minutos, que mais pareciam uma eternidade. Muito tempo parado a observar e a pensar que lado escolher para subir. Mais uma vez, valeu-me a experiência de expedições anteriores. Até porque entrar em pânico teria sido muito pior. Mas é nestas alturas que nos sentimos pequeninos e que percebemos que a natureza é muito forte e temos que a respeitar. A partir daí adoptei uma técnica nova, subia agarrado aos arbustos com unhas e dentes. Não havia sitios estáveis para colocar os pés por isso a segurança adicional das mãos era crucial para me agarrar quando os pés escorregavam. Fiquei todo arranjado e cheio cheio de folhas e afins presas na roupa. Mas lá fui progredindo.
Já perto do topo, fui visto pelo MitoriGeikos e pelo Ftomar que estavam no topo dos dois ‘cumes’. Valeu-me a ajuda de ambos a ‘orientar-me’ nos metros finais pois com a visão completa que tinham de cima era mais fácil indicar-me por que lado subir. E assim foi, subi com sucesso até ao final. Uma aventura que nunca irei esquecer.
Entre incrédulos e desconfiados lá contei a aventura ao grupo e a partir daí foi visitar os dois pontos da cache e fazer os logs. Que vista fantástica! Ainda me deitei quase no topo a observar o sítio. Fantástico. Não poderias ter escolhido melhor Silvana, eu adorei e será certamente um sitio que ficará gravado na memória do meu geocaching.
Obrigado por esta magnífica cache.

Depois, aproveitámos o local para uma bela almoçarada, ou seja transferir peso das costas para a barriga. Não faltou o belo “chouriço do PH” que estava melhor do que nunca, saboroso, tenrinho e pouco salgado como se quer. De seguida descemos às minas para dar uma espreitada (quem ainda por lá não tinha passado) e depressa nos fizémos ao trilho, ou à ausência dele, até descermos até ao trilho propriamente dito. Íamos agora a caminho da Drager’s Lagoon, bem lá em baixo.
No caminho fomos abordados por um vigilante do parque que nos perguntou se estávamos autorizados a caminhar por ali visto ser uma zona interdita e confirmámos que sim, mostrando a respectiva autorização. O resto da caminhada prosseguiu sem sobressaltos, o grupo um pouco mais disperso, na conversa, e sempre a bom ritmo. Deu para pôr a conversa em dia com alguns geocachers e já era final da tarde quando por fim chegámos à Drager’s Lagoon, onde muitos lavaram os pés e alguns tomaram uma bela banhoca. Um intencionalmente e outro não. Mas teve piada, pois foi o próprio Drager.
A água estava geladinha mas o sítio é absolutamente espectacular, uma espécie de praia privativa no meio do Gerês, com areia e tudo!

Daí prosseguimos encosta acima, sempre com o precipício à direita, apreciando o vale com o rio lá em baixo. As vistas são brutais e não fosse a tristeza de ver algumas zonas queimadas por fogos, diria que o sítio é uma maravilha da natureza. O trilho nem sempre foi fácil mas com entreajuda entre todos lá fomos progredindo. A próxima e última paragem do dia era a Varanda das Sombrosas e o acesso foi sempre pela encosta. Muito bonito. Depois de logarmos a cache e com o grupo um pouco disperso em pequenos grupos, lá fomos descendo em direcção a Fafião, zona onde tinhamos de manhã deixado alguns carros para não termos que fazer um trajecto circular.

Chegámos já de noite e com uma chuvinha miudinha a cair, e com um trilho sempre a descer que me relembrou que as articulações às vezes se queixam destes esforços.

O dia terminou com uma bela costoleta de carne barrosã mesmo à maneira que me soube que nem ginjas. E eu que adoro ginjas!

MCA

2 responses so far ↓

  • 1 MAntunes // Oct 30, 2009 at 01:40

    Que belo fim de semana tivemos, sim senhor. 😉

    No local da cache dedicada aos expedicionários, de tão espectacular ele é, só me apetecia voar! Vocês viram. 😉

    Devia haver uma expedição destas por mês. 😉

  • 2 Silvana // Nov 2, 2009 at 06:47

    Acho que uma vez por mês, era o ideal! 😉

    Excelente narrativa, Luis! Ainda nem acredito como conseguiste tal proeza!!!

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