"Vou ali e já venho…"

MAntunes - 2003/12/28

Foi assim, desta forma dissimulada, que tentei esgueirar-me até ao Minho para procurar umas caches… Nada de especial… Ia e vinha no mesmo dia e nem davam pela minha falta… Mas a minha mulher já me conhece bem… e quis tudo "experlicadinho", tim-tim por tim-tim"…

A ideia nasceu a 22 de Dezembro quando eu comecei a magicar uma forma de acabar o ano "em beleza".  Então pensei em ir à "Fenda da Calcedónia" recuperar o "Hendrik" para levá-lo para uma cache mais visitada (ou visitável) no Algarve, que é onde têm aparecido bastantes geocachers estrangeiros e eu gostava mesmo que este meu TB chegasse à Alemanha para ficar nas mãos do verdadeiro Hendrik, como prenda pessoal minha… Como eu não sou muito de ficar a "carpir mágoas" decidi ir de qualquer maneira. Estava disposto a ir sózinho se não conseguisse companhia. Mas tentei convencer uma nosso amigo a ir comigo. Esteve quase a aceitar mas acabou por declinar o convite. Depois convidei o Pedro e ele acedeu a ir conosco – nessa altura já a minha mulher tinha decidido que ia também apesar da hora a que tinha que levantar-se (04H30).

Como ia para tão longe, preparei a documentação de diversas caches no Minho:

"Fenda da Calcedónia", "O refúgio de D. Teresa", "Pré-History Repeating" e "Paranormal Activity in Braga"

O objectivo principal era a "Fenda…" mas se houvesse tempo, visitava mais algumas…

Às 06H00 de Sábado, iniciámos a viagem, passando por Queluz para ir buscar o Pedro junto à cache virtual do Afonso.

Até à zona do Parque natural do Gerês foi uma viagem sem grande história: eu conduzia e eles dormiam. Apenas duas paragens para tomar  bica em Aveiras e em Sto Tirso para fazer chichi. No Porto perdi a sáida para a A23 por ir encostado à esquerda depois de passar as Antas e a saída para Braga está sinalizada muito em cima da respectiva saída… mas rapidamente retomei o percurso e o ritmo da viagem. Quando chgámos ao Minho, acordei a minha mulher para ela apreciar o nevoeiro a transpirar das florestas como ela tanto gosta de ver. Depois, já perto da Barragem da Caniçada enganei-me e fui por uma estrada local, estreita, sinuosa e sempre a subir quando reparei que estava quase a ficar sem combustível… Solução obrigat+oria: voltar para trás sem tocar no acelerador senão ainda ficava no meio da montanha e ia a pé buscar combustivel… Viemos ao pé da barragem, fomos em direcção a S. Bento, depois de reabastecer, e em direcção a Covide onde chegámos pelas 11H30. Aí decidi que era melhor almoçar antes de tentar ir à cache. Procurei na Estalagem da Calcedónia mas não serviam refeições. No entanto, o dono deu-me um cartão para ir ao Cafe Kiosk onde poderia comer "bem e barato" – respondi-lhe que o "barato" não era importante desde que fosse bom… depois falámos mais um pouco – é fácil e agradável falar com pessoas simples e francas. Disse-lhe que ia tentar subir a Fenda da Calcedónia ao que ele respondeu, acompanhando as suas palavras com um brilho nos olhos – "Ah! Eu já lá fui quando era moço… Aquilo é difícil mas se levar alguém pode fazer-se. Vai um à frente e o outro empurra de trás. Depois o que está à frente puxa o que ficou atrás…"  Simples.  Depois no almoço, num daqueles locais especiais, com lareira acesa, cheiro a comida caseira, sorriso franco e pronuncia local e onde só hà um prato pronto para comer (Carne de vaca guisada com batatas e acompanhadas com arroz mais um vinho verde tinto), lembrei-me de que a minha mulher e o meu filho ficavam melhor ali do que dentro do carro no meio duma serra sózinhos e sem cobertura de rede de telemóvel (os telemóveis não funcionavam ali no local do almoço). como havia telefone, lareira, e televisão além da companhia daquela simpática gente. Assim foi. Às 13H00 eu e o Pedro iniciámos a "caçada" – "Até às 16H00, não te preocupes consoco", disse eu. A primeira surpresa tivemo-la no local proposto para o estacionamento: Havia cobertura da rede de telemóvel… Na povoação lá em baixo não havia… bonito..

Tiradas umas fotos e colocadas as mochilas às costas começámos a caminhada em direcção àqueles gigantes que nos aguardavam. Estava frio, vento e um ligeiro nevoeiro mas nada de chuva. Até parecia que o sol ia aparecer… Seguimos os trilhos mais evidentes e acabámos por abordar o rochedo pelo lado contrário ao da entrada da Fenda. Por esse motivo – sei agora – perdemos um tempo precioso para arranjar soluções para chegar ao local da cache. Chegámos a estar a 6 m da cache mas numa cota muito diferente, penso eu,  e com um EPE entre os 36 e os 71 m. Tomara… com aquele "calhau" mesmo ali ao pé… Tentámos várias maneira de chegar até ao local que me parecia ser o "tal". Ensaiamos várias subidas que acabavam sempre da mesma maneira: Para cima ainda se ia mais ou menos mas para baixo era a rastejar de barriga para baixo sobre lajes enormes, molhadas e em certos casos a escorrer água – penso que foi este o principal factor da nossa frustada tentativa. Depois começámos a tentar encontrar a entrada da Fenda. Seguimos trilhos, sinais de caminhada pedestres organizadas (riscos vermslhos e amarelos pintados nas rochas). entrámos em furacos, subimos fendas mas nada que justificasse uma cache. Então, ocorreu a sitaução complicada do dia: Numa das andanças de tentar encontrar a tal Fenda que nos levaria até ao local da cache, saltei de um enorme cabeço para cima de outro que ficava numa cota inferior em cerca de 1,5m para ir investigar um possível caminho. Erro! Quando ia voltar ara trás, deparei-me com uma enorme fenda de cerca de 1m de largura entre os dois. A fenda tinha uma produndidade de cerca de 20 metros e afunilava no fundo. Por outro lado, tinha uma direcção oblíqua para debaixo do cabeço de onde eu tinha saltado (por isso não a vi) Para piorar as coisas, os dois cabeços tinhamas arestas arredondadas em semi-círculo de angulo bastante aberto e sem qualquer saliência onde pudesse agarrar as mãos ou apoiar os pés… Ainda tentei equacionar outras saídas daquele local mas ou tinha fendas equivalentes  pelo meio ou tinha outros cabeços em cotas muito inferiores e com outras fendas logo a seguir… A minha única saída era a ajuda do Pedro… Se tivesse ido sózinho, talvez só o telemóvel me safasse se as autoridades acreditassem na situação enquanto eu tivesse bateria… Como devem perceber, não me sinto nada satisfeito nem orgulhoso da situação em que me meti… mas a partilha de aventuras é, na minha opinião, contar tudo: As coisas boas e as más. E, com os erros dos outros também se aprende (menos eu…). Quando eram 3H00, comnecei a pensar em desistir. Já andávamos a ali hà duas horas. tinhamos  explorado vários possíveis caminhos para chegar ao local. Seguimos várias vezes as marcas "vermelhas e amarelas" e o nevoeiro era mais denso e a humidade do ar casa vez maior. Começámos então o caminho de regresso ao carro, depois de tirarmos uma série de fotos paras recordação. Quando a certa altura, o Pedro viu outras marcas que levavam noutra direcção e decidimos segui-las. Entrão os trilhos começaram a fazer sentido com as instruções da cache. E, acerta altura demos com  a entrada da Fenda da Calcedónia. Imaginem um calhau enorme com uma altura de cerca de 100m ou mais, dividido ao meio por uma fenda que varia entre o meio metro e o metro e meio e que tem um percuro possível, orientado obliquamente, desde a base até ao (pensámos nós) cimo. Fotos, preparativos e aí vamos nós.  Logo no início e como o bastão de era um empecilho, deixei-o na entrada da Fenda. Pensava que ira ter que descer pela mesma para regressar… Bom a Fenda foi para mim uma espécie de reviver a descida à "Six Feet Under". É o mesmo tipo de percurso mas com um pouco mais de espaço e menos sinuoso -É sempre em frente e para cima. O Pedro é que hesitou duas vezes e dizia "Epah… Aquela ali não se pode subir…" Eu respondia-lhe "É sempre em frente. Sempre a subir. Não se desiste agora". Pelo caminho perdi a oportunidade de tirar fotos porque as pilhas da máquina fizeram-me o manguito e eu não podia dispensar nenhum membro para trocar as pilhas… (Tenho que lá voltar!). Quando chegámos ao cimo da Fenda, passando pelo buraco mais apertado de todos (este sim, parecido com os que abundam na "Six Feet Under") tivémos outra grande desilusão! Já tinhamos estado ali… várias vezes… Bom… foi fixe subir a Fenda da Calcedónia. Fica para as minhas recordações. Depois deguimos os caminho mais evidente entre o topo da Fenda e o local que a "setinha" nos indicava. Talvez afinal não estivesse onde eu pensava… procurámos, procurámos. Até me deitei no chão molhado para espreitar em todos os possíveis locais, sem medo de cobras ou qualquer outro simpático ser, meti as mão em todos o lado e nada… Começámos, pela segunda vez, a preparar o regresso mas deu-nos para ainda irmos fazer duas tentativas desesperadas de chegar à cota onde penso que a cache está.  Neste ponto, eu e o Pedro divergimos de opinião. Eu penso que está num sítio ele pensa que está noutro. Ficamos sem saber quem tem razão… por agora…Todas as tentativas  acabaram em nada ou  dar cabeçadas naquele enorme calhau que, por detrás do nevoeiro que aparece e desaparece mais se parece um novo "Gigante de Adamastor". Pelo menos para mim. Mas não se hà-de ficar a rir… É só vir o tempo sêco e que o Pedro possa acompanhar-me outra vez (A propósito: Alguém mais que vir? Já sabem. Comigo têm sempre aventura garantida e as desilusões também fazem parte do Geocaching. É um jogo, não é?). Finalmente começámos o regresso, agora já debaixo de chuva forte e chegámos ao carro todos ensopados. Tanto que tivemos que colocar as palas de protecção do sol (aquelas de material prateado, reflector) debaixo do cú (isto não se diz: por cima dos bancos do carro) para não molhar os estofos. Chegados ao Café Kiosk às 16H30, o Filipe estava à beira da estrada a roer a unhas e, assim que viu o carro, correu para dentro a dar a boa nova à mãe… Pois é… Esta é a parte chata da história – O sofrimento que causo à minha família quando fico incomunicável durante horas. MAs hà  caches onde não é mesmo possível levar a família e essas são as que me atraiem mais… Por isso a minha família já não quer ouvir falar do Geocaching, exceptuando os passeios que dá. Agora a parte final… Bom… O Pedro foi mudar-se enquanto eu bebia uma bedida quente e depois trocámos de papeis e iniciámos a viagem de regresso, apontadno baterias para a "O Refúgio de D. Teresa" que ficava mesmo "em caminho" para Braga… Como diz o Diamantino: Motim a bordo! – "Quê!!??? Outra cache???"  – "Esta é de fácil acesso e fica mesmo a caminho de Braga" – dizia eu… Lá iamos serpenteando por aquelas estradas na zona e irritando-me com os condutores que parece que têm prazer em levar atrás deles uma fila de carros à espreita de oportunidade para seguir viagem numa velocidade mais condizente com o habitual para a maioria (o tipo ia a 40Kh com uma fila de 5 ou 6 atrás e parecia que ia a ter prazer na "escolta" que levava atrás…) É por isto que hà algumas ultrapassagens mal medidas… É que também hà os que exageram pelo lado oposto…

A certa altura, começámos a ficar curiosos com as "luzes" que se viam no topo de um monte: Será uma Igreja ou um convento iluminados especialmente para esta altura do ano?. Quando chegámos perto,  verificámos que era o Castelo da Póvoa de Lanhoso. Todo bonito… iluminado especialmente para nós com lampadas em todas as arestas das paredes principais… Não era preciso tanto… Fomos procurar a cache, debaixo de alguma chuva intermitente e com a luz de uma lanterna. Apesar das condições, fizémos uma procura exaustiva e demorada (a certa altura "alguém" no telelé começou a dizer que eram horas de ir embora). Apesar de o PEdro dizer que era a primeira caçada nocturna dele, não tivemos sorte e não conseguimos encontrar a cache… Mais uma para lá voltar… Qualquer dia não tenho agenda que dê para tudo. Nunca tinha estado naquele local e esta cache deu-me a oportunidade para isso. Apesar de estar escuro, a quantidade de luzes que se vêm no vale iliminam-no de uma forma agradável. Pode-se imaginar que as vistas dquele monte são espectaculares num dia claro. Apreciei a Igreja, as lajes enormes onde o Castelo está plantado e um santuário (?) que está no exterior. Mas o tempo (falta dele) a escuridão e os meus planos não me permitiram usufruir melhor do local. Fica mais um motivo, além da cache, para lá voltar. Após desistirmos, deixei de pensar na "Pre History Repeating" porque é num local que deve estar sujeito a horários.

Então rumámos em direcção a Braga e à cache "Paranormal Activity in Braga" – "Ó Pedro! Vê lá aí se a cache pode ser feita de noite. Era desonesto da nossa parte irmos lá e dizermos que vimos "isto" ou "auilo" no meio da escuridão quase total…"  – O Pedro leu melhor a documentação da cache (debaixo de mais um coro de reclamações da minha família que já estava de "cache à cova"  (esta não é minha). Tendo-se concluído que era perfeitamente possível fazer esta cache sem luz do dia dirigi-me para Braga e depois para o Bom Jesus. Já lá tinha estado hà cerca de 30 anos e continua um local de exploração comercial da fé dos Cristãos. Àquela hora, do dia, s+o se via era restos da actividade comercial das barracas de comes e bebes, venda de velas, artefactos religiosos, etc… Enfim… Não era para comer um coirato que eu estava ali… Procurei o local da cache e andei por ali perdido naquelas ruas que sobem, descem, contornam, passam por cima e por baixo do Bom Jesus… O Pedro dizi "Vê o mapa do GPSr" mas eu gosto mesmo é da agulha qunado estou na aproximação final e naquele local, no mapa do GPSr, o indicador de posição sobrepunha-se a duas ou três ruas desenhadas sobre o mapa… Enfim.. a certa altura, lá reparei numa ruazinha discreta, escondida por detrás das árvores no meio da bruma… Já estava a rezar-me na pele… "Porra" Nem uma virtual que se pode fazer dentro do carro eu consigo fazer hoje!"  (nada de conotações libidinosas….).  Então dei a volta, para entrar na rua pelo lado correcto e iniciei a "operação". E não é que funciona mesmo! Espectáculo! Fiz "aquilo" três vezes e fiquei consolado. A minha família nem acreditava. O Pedro saiu do carro para ver o "fenómeno" e armou-se logo em sabichão a dizer que já percebia tudo. Não lhe liguem… Eu acredito no "fenómeno"…. Excelente motivo para uma cache virtual. Parabéns aos autores  :-).

Depois desta cache – eram 19H00 – rumámos a Braga para comermos alguma coisa.  às 20H00 iniciámos o regresso a Lisboa. Até Leiria conduzi eu e o Pedro dormiu tal como o Filipe. A minha mulher estava entretida ou indecisa entre dormir ela e não me deixar dormir amim… Depois, já estava cansado, passei o volante a ele em Leiria, onde abastecemos e tomámos mais uma bica.  Só acordei em Queluz onde retomei o volante para chegar a casa às 00H05 e 958 kms depois.

Nesta caçada nem tudo foram opções erradas, exceptuando o facto de lá ter ido na época húmida:
a) Não levar o "Snoopy" que ia estar cerca de 10 horas fechado na casota dentro do carro. E o local da cache é muito perigoso para um cão afoito come ele além de que era um impecilho quando tivéssemos que subir para locais onde um cão não pode subir.
b) Não levar o meu filho até à "Fenda…" também foi uma decisão acertada. Acabámos a aventura todos ensopados e doridos – Ainda sinto todos os músculas das pernas, braços e ombros.
c) Levar mudas de roupa completa (calçado, meias cuecas, calças, etc…). Mudámo-nos no WC da local onde almoçámos. Se assim não fosse, hoje estava com uma gripe pela certa…

4 responses so far ↓

  • 1 Rechena // Dec 29, 2003 at 09:32

    eu ja tinha tentado duas vezes a cache perto do Castelo de Lanhoso quando estive de ferias em agosto ali perto…
    tambem nao a consegui encontrar, so agora a ler esta aventura e que me lembrei que nao chegei a logar o not found 🙁
    Gaita….

  • 2 Lobo Astuto // Dec 29, 2003 at 10:31

    Ta tara, ta tara, tanta tara, taran, taran taran… (ok, ok, como é que queriam que eu escrevesse a música do Indiana Jones?) 😉

  • 3 DSAzevedo // Dec 29, 2003 at 10:54

    …deixa-me que te diga, que este fim de semana tb aprendi que há caches de inverno e caches de verão… E não vale a pena andar a troca-las!

    Não te preocupes, pelos vistos a fenda da calcedónia vai guardar o Endrique bem guardado por mais uns tempos.
    Fica para a proxima. Vais lá e óspois xplilicas muito bem como é!

  • 4 bargao_henriques // Dec 29, 2003 at 19:12

    TAMBÉM QUERO!!!
    Quando lá quiseres voltar dá-me uma apitadela, não te esqueças!
    Espero ter disponíbilidade para ir, porque não quero perder a oportunidade de mais uma caçada contigo… Pena o Snoopy não poder ir…
    Um abraço,
    PH

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