O Geocaching e as quadrículas geográfica e UTM

- 2004/02/02

Andei a pensar cá com os meus botões sobre a utilização das coordenadas no Geocaching.
Compreendo e concordo perfeitamente que se deva utilizar um único sistema de coordenadas, pelo facto de ser um jogo de escala global mas, quanto à quadrícula utilizada já tenho algumas dúvidas…
Apesar de nas páginas das caches, no www.geocaching.com, aparecerem as coordenadas em Latitude/Longitude e UTM, a quadrícula universalmente utilizada acaba por ser a geográfica (Lat/Lon).

Como estou bastante habituado a utilizar mapas em UTM, acabo por não conseguir fazer o cálculo mental das distâncias em graus, o que por vezes me irrita um bocado, confesso.
Como andava sempre com a pergunta "quantos metros é 0,001´?" acabei por fazer umas experiências, em busca da resposta.

Assim sendo, utilizando o meu GPSr, implantei 4 waypoints de modo a formarem um quadrado, com um waypoint em cada vértice e 0,001´ de aresta (0,001´ é a máxima resolução que consigo no meu garmin, utilizando esta quadrícula). Como moro em Lisboa optei por desenhar este quadrado algures no meio do estuário do Tejo.

A disposição dos pontos foi esta:

  4          3
  2          1

Depois desenhei 2 routes a unir os seguintes pares de pontos, que resultaram nas correspondentes distâncias em metros:

1->2 = 1,45m
1->3 = 1,85m

Se utilizarmos a quadrícula UTM conseguiremos desenhar um novo quadrado, mas em que os vertices distam aproximadamente 1m uns dos outros. O valor de 1 metro não só é inferior aos 1,45 e 1,85m, como a progressão da distância se faz de forma uniforme, seja para Norte, seja para Oeste. No caso da quadrícula geográfica isso não se passa, como se vê pelos valores que apresentei.

Como, pelo que me é dado perceber, esta diferença de tamanho entre as grelhas aumenta à medida que afastamos do equador por isso fiz o mesmo exercício para o Mar da Noruega.
Neste caso os valores obtidos ainda foram mais dispares, tal como esperava:

1->2 = 0,79m
1->3 = 1,86m

Provavelmente a quadricula que dará uma menor distância entre 2 pontos, de forma regular, no meu GPSr, deverá ser UTM em pés (1 pé = 30,48cm). Mas neste caso apenas ganharia quanto à distância porque medir em pés também não é lá um raciocínio muito normal para um português…

A geometria da quadrícula geográfica não me agrada muito porque estou habituado a que uma determinada coordenada represente um ponto no terreno, com uma validade que é mais ou menos igual independentemente da direcção para onde me mova…
Enfim, mesmo assim não estamos muito mal… Os pinguins terão maiores razões de queixa…

2 responses so far ↓

  • 1 DSAzevedo // Feb 2, 2004 at 18:04

    Podia-lhe dar para pior…

    Tambem já me tinha passado pela cabeça de calcular a distancia entre os tais pontinhos. Quando ando á volta das caches e o raio do parelhometro me dá um ponto abaixo ou acima do que eu procuro, já tinha pensado a que distancia estara o tal afamado ponto ZERO. (os puristas do EPS podem ir gozando… estejam á vontade…)
    Mas como não me tinha dado para mais achei que tinha ar de ser práimetrimeio.
    O que no meu caso serve muito bem e me deixa todo contente porque afinal até nem ando muito longe, considerando que não moro na noruega e fico mal de zmóquingue.

    Continuem assim e digam que o parkinson é xato…

  • 2 Crocodilo // Dec 20, 2004 at 14:26

    Por outro lado, eu costumo fazer contas de cabeça à distância entre coordenadas geográficas… só que com o resultado em milhas náuticas! Funciona na perfeição, e não é por acaso.

    Regra simples: 1 minuto de latitude é uma milha nautica, sempre. 1 minuto de longitude é 1 milha vezes o coseno da latitude. O coseno de 38 é 0.79, um número fácil de decorar pois corresponde à densidade relativa do combustível aeronautico (JP-8 e Jet A-1).

    A grande vantagem disto é resultar numa escala mundial, para longas distâncias, e é essa a razão pela qual se usa este sistema na navegação aérea e marítima. (Aliás, todas as outras formas de navegação são aparentadas com o rastejar, portanto…) As coordenadas UTM acabam por ser difíceis de manipular em larga escala.

    Uma última palavra; há que não confundir os conceitos de resolução na apresentação de dados, e   resolução utilizada no próprio cálculo. Por exemplo, apresentar uma distância num GPS em metros ou em pés pode parecer uma diferença de precisão de factor 3 (3 pés num metros, lápis grosso). Na realidade, como a precisão do aparelho anda nos 5 ou 6 metros, estamos às voltas com o sexo dos anjos… Por isso, quando estamos a olhar para os números a mexerem na página da posição, não se preocupem com a tradução concreta do desvio. Estarão apenas a assitir a flutuações no erro omnipresente. O exemplo inverso é uma calculadora que trabalha com doze ou dezasseis algarismos significativos, mas só tem display para nos apresentar oito. Se fizermos aí uma conversão de unidades, só estamos a mexer ligeiramente no arredondamento para apresentação.

    Espero ter ajudado ( e que não passe por chico esperto).

    Abraços e boas caçadas!

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