"From Heavens to Spiders Expedition"

MAntunes - 2005/10/25

E o grande fim de semana finalmente chegou!

Depois de todos os preparativos iniciados logo após os logs dos Cacheiros, que me deram a ideia de dormir na zona, decidi avançar para a tentativa de visitar a recente mas, desde o início, muito apetitosa cache “Tou às Aranhas”, enviando e-mails a convidar outros geocachers para irem comigo.

Comecei pelos que me tinham acompanhado o ano passado à “Fenda da Calcedónia” e eles responderam logo “Presente!”. 🙂

Desde o início, pensei em incluir outras duas caches do Gerês; a “Stairway to Heaven”, que queria visitar desde há muito, e a “Fenda da Calcedónia” que queria re-visitar e dormir lá. Depois, fui sondando outros geocachers e o interesse manteve-se: chegou a estar previsto sermos um grupo de cerca de 10 pessoas, incluindo senhoras e uma criança. Infelizmente, as datas consideradas não eram oportunas para todos e tivemos que optar pela que nos permitia o maior grupo possível.

Depois da data escolhida, criei o tópico neste site para dar conhecimento das nossas intenções, na esperança de que mais alguém quisesse e pudesse juntar-se a nós. Tal não aconteceu na ida às “Aranhas” mas tivemos a companhia de 3 simpáticos geocachers do Norte, na visita à “Stairway to Heaven” 🙂

Agora que conseguimos cumprir os nossos objectivos. Superá-los até pois também visitámos 3 caches na zona de Castro Laboreiro, vamos tentar partilhar as nossas histórias:

– Eu relato desde a saída de Lisboa até ao momento em que saímos da Senhora da Peneda.
– O MCA, relata desde esse momento até após o jantar de Sábado (não te esqueças das vacas em Ribeiro de Baixo!)
– O clcortez relata a subida da Fenda e a dormida no local (aqui, vou ficar “com as orelhas a arder…”)
– Por fim, o PH relata o dia de Domingo em que cumprimos o nosso objectivo principal (não preciso  lembrá-lo de nada 😉 )

Parte I – De Lisboa à Peneda

Tínhamos combinado o encontro junto à casa do PH, pelas 05H00. Saímos um bocado mais tarde mas isso não comprometeu os nosso objectivos de nos encontrarmos na “Stairway” com o Páscoa, Luisa e Ricardo. Apenas nos fez andar um bocadinho mais depressa nas AE. 😉

O início da viagem começou com céu muito nublado mas sem chuva e com muitos receios da nossa parte, quanto ao tempo. Receios que se avolumaram quando, após Leiria, caiu uma carga de água que nem o limpa pára-brisas dava vencimento ao caudal.

Nessa zona, tivemos um susto: um condutor mais inseguro, hesitou tanto a ultrapassar um camião que reduziu a velocidade e  ficou ao lado dele, durante largos segundos, obrigando-nos a levar com a água que chovia, com a água que vinha das rodas do carro dele e com a água que vinha dos rodados do veículo longo! Foi o momento de maior frisson em todo o fds, em termos rodoviários. Nem sempre os mais lentos são os mais seguros a conduzir na estrada. Aquele condutor podia ter perdido o controlo do veículo e provocar um acidente. Naquelas situações, ou não se inicia a ultrapassagem ou se a faz o mais rápido possível. Adiante…

Durante a nossa paragem na Mealhada, para tomar um cafézinho, o Páscoa telefona-nos com “cara de sono” para saber onde íamos. Eles estavam de saída para a Senhora da Peneda –  eram cerca das 08H30, se não me engano.

O resto da viagem correu muito bem até ao momento em que o MCA ficou com uma fetiche em relação ao nome de uma povoação e, aproveitando o facto de a “menina” do CoPilot não conhecer a AE mais nova na zona de Arcos de Valdevez, “enganou-se” nas indicações, só para a gente passar  por aquela povoação outra vez. 😉 Satisfeita a “vontade” do MCA, continuámos o caminho até chegarmos à vista do vale onde está a Senhora da Peneda. Antes de aí chegarmos, o MCA ainda nos contou outra vez a história, deliciosa, de como ele pediu em casamento a sua namorada, hoje sua esposa. Entretanto, embora distraído com a conversa, numa recta, desviei-me do que me pareceu ser uma pinha no meio da estrada, A outros pareceu um bocado de excremento de bovino. Afinal, ao passarmos, reparou-se que era um sapo dos grandes (este episódio, insignificante, iria marcar muitas das nossas conversas durante o resto do fds).

No miradouro com vista para o vale da Peneda, parámos outra vez, para trincar umas pataniscas, telefonar às famelgas e engrossar o caudal dos cursos de água que desciam o monte.

Continuámos a viagem até á Senhora da Peneda. Depois de uma primeira abordagem por Sul, entrámos na povoação por cima e estacionámos no largo principal. Fomos apreciar o local, especialmente a enorme cascata que caí lá do alto e a enorme igreja.

Depois fomos tentar comprar comida para levarmos para o almoço, lá no alto, na cache. Tentámos uma loja de um senhor já idoso e ficámos admirados com a reticências dele em nos fazer umas sandes de presunto, indicando-nos o restaurante mais acima para irmos comprar comida. Parece que ele não tinha muita confiança no presunto que, realmente, tinha um aspecto de já estar bastante ressequido e duro. Lá fomos ao restaurante onde nos disseram que poderia demorar de 15 a 20 minutos, a preparação de bifanas. O PH veio dar-me a  notícia, com ar um pouco preocupado (eram quase 11 horas e o Páscoa tinha calculado que chegaríamos ali por volta das 10) ao que eu respondi; “negoceia 10 minutos!”. Vendo o PH pouco seguro do sucesso de tal negociação, fui lá eu, perguntei como era com o tempo e responderam-me o mesmo. Chutei logo: “10 minutos e temos negócio!”. Ao que a senhora me respondeu, entre sorrisos; “12!”. Gargalhada e …”Fechado!”. Enquanto as bifanas eram preparadas e o MCA foi fazer xixi, reparámos num elevador “novinho em folha” e indagámos se ele nos levaria ao topo do Penedo. Mais uns minutos (acho que acabaram por demorar os 20 minutos…) e temos almoço pronto.

Iniciámos a subida. O caminho foi fácil de localizar e começámos cheios de vontade, indo o clcortez à frente. Alguns minutos depois, reparo que havia dificuldades no grupo e peço ao Cláudio para abrandar ou ir para trás, de modo a permitir que os mais lentos marcassem o ritmo. Assim aconteceu e isso permitiu que chegássemos todos juntos lá no alto. Durante a subida reparámos que o caminho estava cheio de “sapos” alguns enormes, outros meio afogados pela água que escorria do Penedo mas muitos! Curiosamente, não se viu qualquer produtor daqueles “sapos”. Fiquei impressionado que o gado bovino conseguisse subir até aqueles locais – o caminho tão íngreme e irregular, com o piso escorregadio… Curioso.

Chegados ao alto, no ponto onde se inicia a cascata, parámos para umas fotos e continuámos até ao ponto onde se cruza o curso de água para pararmos outra vez e tirar mais fotos.

Até que chegamos ao local onde, erradamente, virámos à esquerda, para onde as setinhas nos indicavam, em vez de seguir em frente, para a represa.

Começámos a aproximarmo-nos perto do local da cache e não havia sinais dos Geocachers do Norte. Comecei a recear que tivessem desistido por algum motivo, uma vez que não se ouviam, não se viam, estávamos a menos de 100m da cache e não nos tínhamos cruzado com eles na subida.

Alguns palpites, falhados, quanto à localização da cache e, quando as setinhas começaram a apontar para a direita o Cláudio acerca-se de um maciço rochoso e começa a “tirar-lhe as medidas”. Eu e o PH tínhamos continuado e o MCA ficou mais ou menos entre nós. Entretanto, o Cláudio começa a “ganhar coragem”  e nós os dois a tentar saber como passar uma pequena floresta sem levarmos com as gotas todas dos ramos dos arbustos  (tinha chovido, certamente, não há muitas horas) Enquanto nos apercebíamos que o Cláudio deve andar a beber muito daquela bebida “Dá-te asas!” e o MCA se aproximava de nós, começámos a ouvir, a espaços, as vozes dos nossos companheiros do Norte.

Então, lá nos decidimos a inclinarmo-nos perante os arbustos e passar por eles, nas esperança que fossem misericordiosos connosco, não nos encharcando todos. Chegados ao local onde os outros estavam, vimos que a situação estava complicada;
A Luisa já estava no patamar mais alto. O Páscoa estava entre cá e lá e o Ricardo “Walcarr” estava o que me pareceu ser, extenuado com o esforço despendido nas diversas procuras de caminhos para chegar ao alto e, encalhado numa das arestas das rochas de onde não parecia poder sair, nem para cima nem para baixo.  Estavas mesmo encalhado, Ricardo! 😉

Nós, entretanto, “resolvemos” o problema do nosso acesso junto aos outros (não sem eu ter rasgado a mão e o meu impermeável) e, entre todos, ajudámo-nos mutuamente para vencer aquele obstáculo e a aceder à plataforma superior.

Eis quando aparece o Cláudio, todo sorridente, a dizer que já vira a cache!  

Plataforma superior, fomo-nos aproximando da cache até que, perto dos 40m, sugeri que fizéssemos uma procura ordenada e individual; um de cada vez, procura e localiza a cache e, no fim, o último recolhe-a e todos logam em conjunto.

Assim se fez e eu fiquei para último, tendo ficado a telefonar à mulher e a dar notícias por SMSs a alguns de vocês que me enviaram mensagens a perguntar por nós – “Onde andaindes?” e “Estão muito calados…” –  Obrigado a todos que se preocuparam connosco e tentaram inteirar-se de saber se estava tudo a correr bem. 🙂

Até que chega o grito: “Manéél!!!”.

Aí vou eu, GPSr em punho, a seguir a setinha. O piso não era muito propicio para fazer a minha abordagem em espiral ao ponto zero mas lá fui tentado. Demorei um pouco mas quando me apercebi que não estava nada no ponto zero ou num raio de 4,  5 metros em volta. Decidi “desligar-me” do GPSr e fazer-me a pergunta “resolve tudo”:
– “Neste local, onde é que eu colocaria uma cache?” Dirigi-me para lá e, em menos de um minuto estava a tentar sacar a cache do local de onde teimava em não sair. Não saiu por cima, saiu por baixo e …vamos ao almoço. 🙂

Durante os logs fomos almoçando ( aliás, ainda estava eu a procurar a cache e já havia quem desse ao dente mas isso não me desmoralizou 😉 ), logando a cache e trocando prendas. Algumas prendas foram trocadas entre nós, sem entrarem dentro da cache, como a que o PH entregou ao clcortez para ele não se atrasar mais nos encontros e, outras, em troca com as que havia na cache. Deixei uma bússola que recebi no Geomeetup do Norte, depois de ter perguntado ao Ricardo “Walcarr”, se ele não levava a mal. Quase no fim do almoço começa a chover, tendo os últimos logs sido feitos debaixo de guarda-chuva. Lembrei-me de substituir os saco exterior por um novo, porque o existente estava já algo roto.

Iniciámos o regresso mas a chuva aumentou de intensidade e fez-nos abrigar. Passados largos minutos, sugeri que avançássemos porque, debaixo das árvores, também nos estávamos a molhar e estávamos parados. Concordaram e seguimos em frente.

Pelo caminho para a represa satisfiz a curiosidade do Páscoa acerca de  alguns dos apetrechos que uso e das experiências adquiridas. Falou-se nas polainas para não deixar a água escorrer para dentro do calçado, falou-se da roupa exterior e impermeável e da utilidade dos bastões de caminhada, seja para caminhar, seja para procurar caches no meio de arbustos agressivos ou onde possa estar presente algum animal, seja para afastar cães e outras  “companhias indesejáveis”.

Com a conversa, chegámos à represa e começou mais uma sessão de fotos; a nós, á barragem e ao Cláudio que, simpaticamente, acedeu a caminhar pela parede da represa para ver se á agua molhava os pés.

Após as fotos, continuámos o caminho agora em direcção ao início da descida, no topo da cascata. Mais algumas risotas sobre a existência  de tanto “sapo” na região e lá começámos a descer.

Na descida, várias vezes o Ricardo tentou “posar” para uma fotografia mais artística mas o “fotógrafo” estava sempre distraído e obtinha a fotos sempre um segundo atrasado. Perante tal impasse, houve outros que tentaram ajudar, “posando” para a fotografia e tentado não colocar a mão em cima de nenhum “sapo”. Sem sucesso. Os fotógrafos estavam mesmo desinspirados… 😉

Chegados ao fundo da descida, após muitos zigzags e zagzigs, fomos tomar um cafézinho e começámos as despedidas que culminaram numa foto de grupo.

Beijinhos e abraços e cada um dos grupos foi para seu lado.

Passei o volante ao PH e passo este relato ao MCA. 😉

31 responses so far ↓

  • 1 danieloliveira // Oct 25, 2005 at 08:37

    Já estive a vêr as fotos e sem dúvida que passaram por elas! Ainda bem que um cacher a sério não se dissolve em água.

  • 2 Pascoa // Oct 25, 2005 at 10:06

    Depois de pedir ao PH para mostrar o contéudo da mochila "Sport Billy" dele durante o almoço, fiz umas perguntas ao MAntunes sobre equipamento.

    Resultado: Bastões já cá cantam e logo vou ter uma formação em Aveiro. E o que há em Aveiro??? Decathlon. Acho que já devem saber o final da história.

    Volto a referir que foi um prazer estar com esta malta toda. Voltem sempre e com mais pessoal

  • 3 pcardoso // Oct 25, 2005 at 22:55

    Mas porque é que não consigo escrever no outro post? Olha, fica aqui…

    De qualquer das formas, ah, que inveja, parabéns pela aventura!
    PH, não desistas (já vi que não, não conheço essas minas do lado espanhol, mas será que o acesso é fácil?). MAntunes, vais começar a fazer visitas guiadas à Nevosa como já fazes com a six feet under? ClCortez, encontramo-nos aí na gruta mais próxima, em Dezembro talvez na Adiça. MCA (e Robin da Mata), aquilo dá pra fazer de btt? Cachapim (e ClCortez), com neve é já a seguir!

    E o resto da história?

  • 4 portelada // Oct 26, 2005 at 00:22

    Há grande fim de semana que deve ter sido !!! é daqueles passeios que não se esquece….que marcam uma vida , que deviam entrar para os livros do Geocaching !!!!

  • 5 MAntunes // Oct 26, 2005 at 07:21

    É difícil…
    Sabes, não tem Tortas de Azeitão nem Choco de Setúbal por perto… 😉

    Mas, sim, estou a pensar em voltar lá se conseguir convencer o meu filho a ir comigo. O meu filho é Escuteiro, Explorador, e já tem alguma experiência em caminhadas e acampamentos mas nunca acampou comigo.  

    Gostava de partilhar esta caminhada com ele mas, desta vez, dormir nos Carris (fazer tudo num dia é possível mas muito violento para o rapaz).

    Quanto à "Six Feet Under", já disse  ao Páscoa que o levo lá quando ele vier ao Sul. É para lhe mostrar uma cache mítica cá em baixo. 😉 Depois anuncio neste site para ver se mais alguém quer ir conosco.

    O resto da história aguarda a disponibilidade do MCA. 🙂

  • 6 olharapo // Oct 26, 2005 at 08:16

    Fiz uma interrupção no acompanhamento deste site e acontece-me isto?
    Não pode ser!
    Não me vou perdoar por ter perdido uma molha cerimonial em grupo…
    Aos outros participantes que ficaram de aqui narrar os restantes fascículos da aventura, por favor não o façam… frezee
    Não sei se aguentarei,…

    O que eu não dava para poder ter participado…

  • 7 btrodrigues // Oct 26, 2005 at 09:34

    já estão a ser recolhidas as assinaturas e inscrições para o próximo "tour" 🙂

  • 8 danieloliveira // Oct 26, 2005 at 10:22

    ..de me enviar um convite 🙂

  • 9 Cachapim // Oct 26, 2005 at 14:52

    Será que o convite do MAntunes também é extensível cá pró Cachapim? É que este Cachapim "voa" muitas vezes para o Sul e até tem "ninho" em Setúbal…

    Depois de já ter encontrado algumas caches perto de Setúbal ("Hanging Gardens of Babylon", "Mouriscas" e "Fornos do Pinheiro") estava com vontade de tentar as tais mais… hum… míticas ("Six Feet Under" e "Half a Mountain").

  • 10 MAntunes // Oct 26, 2005 at 15:45

    "Depois anuncio neste site para ver se mais alguém quer ir conosco."  

    😉

    (A data será definida pelo Páscoa)

  • 11 btrodrigues // Oct 26, 2005 at 18:18

    se houver nova expedição à Six Feet Under eu vou de novo!

  • 12 ricardorsilva // Oct 26, 2005 at 18:23

    Nova expedição à "Six Feet Under" contem comigo.

    Nova expedição às míticas da Peneda-Gerês contem comigo.

    Lynx Pardinus / Ricardo R Silva

  • 13 Pascoa // Oct 26, 2005 at 19:41

    Já vi que tenho de marcar o fim-de-semana em terras do sul e rápidoooo.

  • 14 MAntunes // Oct 26, 2005 at 20:23

    Brevemente será criado um tópico para a próxima expedição à Six Feet Under. Guardem o vosso entusiasmo até lá, pf. 🙂

    Sei que a contribuição do MCA está quase a aparecer. 🙂

    Vamos manter este artigo dentro do tópico, ok? 🙂

    (embora eu tb tenha ajudado à festa…)

  • 15 Pascoa // Oct 26, 2005 at 21:50

    Tens razão e eu penitencio-me na parte que me toca.

    O MCA já conseguiu levantar-se da cama para escrever a parte dele ??

  • 16 mca // Oct 26, 2005 at 22:35

    Uma vez de novo no cachemobile do Antunes, e agora com o PH ao volante, era tempo de ajustar o banco para trás, regular os espelhos, e, surpresa surpresa, meter a ´co-pilota´ do Manel a falar outra vez… 😉 sim porque havia mais caches para fazer até à hora do jantar… já que tinhamos vindo de tão longe, vamos aproveitar bem o tempo…. subida à fenda só depois do jantar, isto se a chuva que agora cai nos permitir…

    Decidimos então rumar a norte para a Green Deep… e a chuva a não dar tréguas lá foi caindo com mais e mais força… o céu apresentava-se totalmente cinzento e eu pessoalmente já estava a ver o resto do fim-de-semana comprometido, nomeadamente a subida e a dormida na fenda… 🙁 mas adiante que se faz tarde e Green Deep aqui vamos nós… encontrado o caminho correcto lá parámos o cachemobile à beira da estrada e decidimos formar equipas: MCA e PH atacaram primeiro, bem munidos de impermeáveis, polainas, bastões e até GPS… só faltou a descrição da cache! e os rádios… e os telemóveis… chegados lá abaixo procurámos, procurámos, era mato por todo o lado, o sinal gps coitado, devia andar abrigado da chuva, pois a tarefa não estava fácil, nem sabíamos bem o que procurar, quanto mais onde… decidimos ir chamar o MAntunes e o Claudio e já agora o texto da cache…

    Novamente no local da cache, agora os 4 juntos e ainda debaixo de chuva intensa, lá unimos esforços e procurámos em conjunto, até que a dita apareceu… embora o Manel para tirar a cache tivesse lá deixado a mão, que agora teimava em não sair… "ó PH, levanta-me do chão para eu tentar tirar a mão" 🙂 mas é assim mesmo, geocacher não tem medo de nada, e a camaradagem e trabalho de equipa mais uma vez ditaram o sucesso de mais uma ´taparuére´. Trocadas as prendas e assinados os logues, voltámos à cachemobile.

    Era então tempo de prosseguir viagem até à Rocky River, mais uma vez com a ajuda da co-pilota e também dos Garmins, claro está!

    Estacionada a dita lá seguimos trilho fora, de guarda-chuvas em punho, impermeáveis, máquinas fotográficas, bastões, gps, telemóveis, eu sei lá, era uma montra de equipamento… chegados ao local uns foram tirar fotos enquanto individualmente cada um procurava a cache. Primeiro o Manel, depois eu, depois parece-me que foi o PH e por fim o Cláudio. Se não foi por esta ordem não interessa nada….
    Só vos digo, o local é muito muito giro, há uma ponte romana? com nada mais nada menos do que 3 arcos! Que maravilha, estes romanos eram loucos (já dizia o Asterix) mas não eram parvos! Feitos os logs debaixo do guarda-chuva, e tiradas todas as fotos, voltámos à cachemobile.

    Próxima na nossa lista era a Fronteira de Baixo, cuja estrada era já nossa conhecida: embora eu já tivesse logado a cache antes disso, no ano passado, aquando da nossa subida à Fenda (MAntunes, PH e MCA), tentámos fazer esta cache acompanhados pelo dono da mesma, mas o pior confirmou-se, tinha desaparecido! ;-(

    Desta vez não nos escapa e lá seguimos até à pacata aldeia de Ribeira de Baixo, e felizmente já não chovia! Para mim era já a terceira vez que aqui vinha, portanto já vou conhecendo as estradas e os atalhos, pelo que tomámos uma opção diferente do ano passado e levámos o cachemobile por uma estrada bem estreitinha tão estreitinha tão estreitinha que já não dava para dar a volta e nem sabíamos se o carro conseguia fazer a estrada até ao fim… a certa altura e por unanimidade dos restantes, mandaram-me sair do carro e ir inspeccionar o caminho…. começo a descer a estrada em direcção ao rio e dou-me de caras (literalmente!) com 2 vacas a caminhar de frente para mim na minha direcção! :-/
    Eh lecas por esta é que eu não esperava! Apressei-me a voltar para a cachemobile, entrei e proferi as seguintes palavras: "a estrada tá boa mas vêm lá duas vacas de frente!"… foi gargalhada total dentro da viatura 🙂

    Lá seguimos até onde pudémos até que invadimos o estacionamento privado de uma habitante local que se apressou a vir cá fora ver se era o filho que tinha  chegado… o sotaque não era fácil mas lá pedimos autorização para deixar ali o carro por meia hora, dizendo que íamos até ao rio a pé… ela olhou para nós com ar desconfiado, vendo máquinas fotográficas e aparelhos desconhecidos, e perguntou se éramos políticos, se estávamos ali por causa de eleições. :-/

    Procurámos descansar a senhora dizendo que estávamos apenas a passear e lá seguimos descendo até ao rio, não sem antes nos cruzarmos com mais meia dúzia de vacas e também um grupo de cabras, bem como as respectivas donas. Este ano fomos directamente ao local da cache, aproximando-nos pelo lado contrário. Eu verifiquei que ela estava lá pois sabia bem onde era o sítio, depois o PH procurou, depois o Manel e por fim o Cláudio. Logs para cá, prendas para lá, e regressámos para tirar mais fotos ao rio. Reparámos que havia uma placa do parque nacional do Xurês escrita numa língua parecida com português: o Galego!  E andámos nós do lado espanhol da fronteira!

    Por esta altura não sei que horas eram, talvez umas 18h30 da tarde. O caminho ainda era longo até à zona de Covide, próxima da Fenda da Calcedónia. Embora a distância seja curta (em linha recta), há poucas estradas e é necessário dar muitas voltas, senão vejamos: subimos a Castro Laboreiro, rumámos até à fronteira, entrámos em Espanha, passámos várias povoações, entre elas Rio Caldo, onde no ano passado fizémos uma excelente cache, as Pozas de Rio Caldo, entrámos de novo em Portugal pela Portela do Homem, aproveitámos para verificar onde íamos começar a caminhada de Domingo, e rumámos sempre em direcção a Covide. Chegámos à zona já de noite e a fome já apertava. Uma refeição completa e quente era essencial para a nossa escalada nocturna! Como não demos logo com a estrada certa pedimos informações a umas crianças que encontrámos no caminho e indicaram-nos o restaurante do Parque de Campismo. Lá chegados, para além de estar vazio, pareceu-nos um pouco caro e decidimos procurar uma alternativa num restaurante onde estivémos no ano passado, perto da Estalagem da Calcedónia, o snack-bar Bosk!

    Logo à entrada fomos recebidos por uma jovem empregada que nos presenteou com a lista e antes mesmo de a lermos já estava a perguntar se tínhamos alguma dúvida… Feitos os pedidos, optámos todos pelo bife grelhado, uns com batatas, outros com arroz. O PH ainda deitou abaixo não uma mas DUAS canjas bem quentinhas, e eu acompanhei na primeira. Depois acompanhei o Manel num verde tinto da casa, a jarro, enquanto o PH e o Cláudio saborearam uma maravilhosa Sumanja de Laranjol! Por esta altura continuavam a chegar SMS para saber notícias nossas, aliás isso foi uma constante ao longo de todo o fim-de-semana. Como é bom sentir a amizade dos nossos amigos quando estamos perante uma prova de resistência como esta! (obrigados obrigados)

    Acabada a refeição regressámos à cachemobile do Manel e era tempo de tomar a grande decisão: Subir ou não Subir, eis a questão!
    (estamos a falar da Fenda da Calcedónia é claro!)

    A situação era esta: eram 22h da noite, estávamos a pé desde as 4 da matina, já tinhamos feito 500km, 4 caches, apanhado valentes molhas e estávamos cansados. Depois de sandes, barras e cubos de marmelada durante o dia tínhamos finalmente conseguido uma refeição quentinha. Agora apetecia mas era xonar…. E a estalagem mesmo ali ao lado a chamar por nós….. o céu estava estrelado e nem estava frio. As opiniões  divergiam….

    Para saberem o resto vamos chamar o nosso companheiro Cláudio que vai pegar na história a partir daqui. Força Cláudio!

  • 17 Pascoa // Oct 26, 2005 at 23:24

    Mais depressa falava…

    The Green Deep e Rocky River de bastão !?!?!?! Vocês ainda conseguem encontrar caches sem bastões?

    Acreditem que não fiz por querer depois de nos separar-mos no final da stairway começar a chover torrencialmente. A cunha era para o fim de semana todo.

  • 18 walcarr // Oct 26, 2005 at 23:39

    Acham que uns frasquitos de vaselina eram capazes de me ajudar na "Six Feet Under"?
    Ou é uma cache descriminatória?

  • 19 btrodrigues // Oct 26, 2005 at 23:43

    halibut!

  • 20 Walrus // Oct 27, 2005 at 00:20

    …uma daquelas caches míticas!

  • 21 MAntunes // Oct 27, 2005 at 07:23

    Em Lobios, Espanha, o PH foi perguntar aos Bombeiros locais se era possível chegar às Minas das Sombras (írmãs" das Minas dos Carris) de carro.

    É que, sendo possível, a distância até à Nevosa parece muito mais curta do que a da Estrada da Portela do Homem.

    Parece que os Bombeiros disseream que a estrada está fechada mas se se pedir previamente às autoridades, eles deixam. Foi assim, PH?

    PS: Deixemos a "Six Feet Under" para outro tópico, ok? 🙂

  • 22 bargao_henriques // Oct 27, 2005 at 10:11

    O caminho da Mina das Sombras até à Mina dos Carris é infinitamente mais curto que o da Portela do Homem mas, há sempre um ou mais "mas":
    1º É uma zona de acesso vedado, apenas permitido a moradores
    2º Será possível pedir permissão de acesso à Secretaria do Ambiente da galiza, ou lá o que é, e, sinceramente, duvido que o permitam… Já estou mesmo a ouvi-los a perguntar: "Mas então, a ideia não é andar?! Andem!…" 😀
    3º Ente as duas minas não existe propriamente uma estrada… Nos mapas antigos aparece um carreiro que, no mais recente, já não aparece. No entanto sei que, vários dos inúmeros grupos de montanheiros tugas e espanhóis que cruzam estas serras, fazem esse troço de ligação, porque depois se dirigem a Lovios ou à portela, pelo lado espanhol.

  • 23 clcortez // Oct 28, 2005 at 11:37

    E pronto, vamos continuar!

    Na expectativa de um banho quente e de uma cama confortável ainda perguntámos no Bosk se tinham quartos..mas não. Pronto, tínhamos mesmo que decidir qq coisa!

    As negociações entre nós continuaram junto ao carro. A noite estava agora extraordinariamente limpa e agradável. Não estava frio e as estrelas eram as nossas companheiras. Inicialmente só eu e o MAntunes estávamos com a pica suficiente para ir para a fenda…depois já tínhamos chegado a outro acordo, subir à fenda e regressar para dormir. No fim, e após votações rinhidas e em sufrágio absoluto ficou decidido : vamos os 4 até à fenda, PH e MCA vão directos ao topo e eu e o MAntunes subimos a fenda. A dormida ia ser mesmo feita lá em cima!:)

    Trocámos os mantimentos e roupa para a noite ainda debaixo do candeeiro junto ao restaurante. Arrancámos com o PH nos comandos da nave e "aterrámos" na base onde tem início a caminhada para a fenda. De salientar que eu era o único que ainda não tinha vindo a este local, nem tinha feito a cache, nem tinha subido a fenda. No entanto era a primeira vez que ali estávamos à noite!

    Metido o carro bem escondidinho a alguns metros da estrada e optimizada a carga das mochilas arrancámos no meio de uma névoa seguida de um nascer da lua que nos fazia sentir tal qual um D.Sebastião a caminha da batalha..o cenário era espectacular e à medida que a lua subia e nos iluminava o caminho as nossas 4 lanternas iam sendo poupadas.

    A meio do caminho atestámos as garrafas de uma água surpreendentemente fresca e seguimos até à bifurcação onde nos íamos separar : eu e o MAntunes para a direita, a caminho do início da Fenda e o MCA e PH  pela esquerda até ao topo. PMR´s ligados e seguimos os dois por um caminho sinuoso e cheio de àgua..era notório que já não passava ali ninguém à algum tempo. E deparámo-nos com outro problema, que nos acompanhou ao longo da noite : de noite todos os gatos são pardos e as pedras também, e mesmo para quem já tinha ido à fenda não era fácil no breu da noite encontrar os caminhos e as passagens à primeira! Mas claro que nunca nos perdemos!:)

    Chegámos ao primeiro local possível para dormir, mas as chuvadas recentes tinham inundando por completo o chão do abrigo. Mas a esperança não morreu e toca de avisar os outros dois colegas que estavam do outro lado dos PMR´s que este local estava fora de questão e para eles procurarem outro.

    Continuámos até à entrada da fenda. No meio da névoa e com a lua ainda baixa e duas lanternas fracas não estava a ser fácil dar com ela. A comunicação com os nossos colegas por PMR´s tinha morrido, no entanto já tínhamos ouvido um outro geocacher que chamava por nós mas que não nos ouvia! Ele esteve durante muito tempo a tentar mas nunca nos ouviu…curioso que ele não devia/podia estar muito longe, ou então tinha um emissor bastante potente. Não há vivalma num raio considerável o que leva a crer que ele ou estava muito perto de nós e não nos ouvia, ou estava mais longe e por ter um emissor mais potente que os nossos rádios o nosso sinal não chegava lá…a dúvida fica no ar.

    O MAntunes estava decidido e meteu-se na primeira racha humida e escura que encontrámos…tínhamos entrado na fenda! O pouco alcance das nossas lanternas não deixava ver o fim da fenda e a sua imensa dimensão metia ainda mais respeito no meio da noite. As rochas estavam escorregadias o que dificultava a progressão, além disso além dos nossos corpos tínhamos que transpor as mochilas também!

    Bom, começaram as dúvidas. O MAntunes estava a achar agora a fenda muito mais complicada de transpor do que antes…será que era por ser de noite? Seria já o cansaço? Não, o MAntunes tinha mesmo se enganado na Fenda!! Mas quem é que o manda meter-se na primeira racha humida e escura que encontrámos?!? Estranha cena esta…;)

    Pois, a Fenda mesmo Fenda era 10m ao lado!! Ai a noite, a noite…e ai o vinho ao jantar!;) Bom, e com isto tudo perdemos mais de 20 minutos, pois como já tínhamos entrado um bocado na primeira fenda claro que depois tivémos as mesmo dificuldades para regressar cá para fora. É que esta fenda é muito mais difícil de traspor! Iniciámos então a subida na verdadeira fenda, bem mais apertadinha que a primeira…rapidamente chegámos ao meio e eis que começámos a receber chamadas ( rede dentro da fenda, imagine-se!:) ) primeiro do MCA que já estava preocupado de não aparecermos do outro lado da fenda e depois do Paulo Mateus que amávelmente ligou para saber como estava a correr. É a deixa e chega agora a minha hora de agradecer a todos os que de uma maneira ou de outra nos acompanharam sempre nesta expedição e se preocuparam connosco! Obrigado pelo vosso apoio e pela dedicação! É isto os verdadeiros amigos!:)

    Continuando na fenda ( estávamos agora a meio ), faltava já pouco e rapidamente lá chegámos ao fim, e vimos novamente a luz…da noite! Amigos, e que luz! A paisagem era deslumbrante lá do alto, preenchida pela névoa que agora estava abaixo de nós num imenso manto branco. Acima de nós uma lua em quarto minguante que ainda assim iluminava o cenário recheado de enormes blocos graníticos.

    Pesquisámos o local, tirámos umas fotos e o MAntunes procurava agora o local que nos levaria ao encontro dos outros dois e ao caminho para o topo do monte. Recuperámos também as comunicações através dos PMR´s.  O nosso "amigo" geocacher continuava a tentar contactar-nos mas não conseguíamos estabelecer ligação. Seguimos por uma reentrância que nos levou ao local onde iríamos pernoitar e onde começámos a ouvir os nossos colegas não só pelos PMR´s mas também directamente, querendo dizer que estavam perto de nós. Desloquei-me um pouco e avistei-os, mas um nível abaixo ( uns bons 15m, que neste local fazem muita diferença! ). Enquanto verificava o local encontrado para pernoitar e sua viabilidade para tal o MAntunes ajudava os nossos dois colegas a nos alcançarem.

    Depois de estarmos todos juntos o MCA e PH rapidamente começaram a fazer os preparativos para dormir, enquanto eu e o MAntunes procurávamos o caminho para chegar ao topo e à cache.

    O MAntunes ainda se recordava dos truques para chegar ao topo, quer os melhores locais para subir sem escorrergar, agora muito mais perigoso com a humidade, quer os locais para passar ao lado dos percipícios sem cair. E assim chegámos ao topo do monte!!:)

    Fiz-me à cache que apareceu em poucos minutos. Enquanto fiz o log e a troca de presentes o MAntunes escrevia posts no @pt e respondia a sms´s. A vista lá de cima era magnífica, e durante largos minutos nos mantivémos lá. Ainda tentámos subir ao marco geodésico, mas a pouca aderência das rochas húmidas não nos ofereceu a segurança necessária para a subida, e descemos até junto dos nossos colegas para agora nos metermos nos sacos-cama e tentarmos dormir. E eles já dormiam!:)

    É nestes momentos que tudo nos vem à cabeça e somos invadidos pelos mais diversos pensamentos. Tudo parece ficar mais claro e a vida parece maravilhosa. Parece e é, pois chegar ali e estar ali é algo simplesmente…maravilhoso!:)

    Apesar de o cenário para quem não esteve lá parecer difícil acreditem que contribuiu para uma paz muito reconfortante…não fosse ter uma pingueira mesmo em cima dos pés no saco-cama a noite toda molhando-me os pés e ter um dos outros a ressonar quem nem um animal tinha sido uma noite daquelas!!:) Tínhamos iniciado a súbida por volta das 22h e eu e o MAntunes só fomos dormir à 1.30h.

    A hora de acordar tinha sido definida em democracia por unanimidade pelo MAntunes;) para as 6h da manhã. Tão cedo? Pois é, tínhamos que começar a caminhada para as Aranhas bem cedo e ainda tínhamos que sair da fenda, chegar ao carro, tomar o pequeno almoço e chegar à Portela do Homem. Levantámo-nos às 6.20h, ainda era de noite. Custou, mas o objectivo merecia isso e muito mais! Arrumámos toda a tralha e iniciámos a descida até ao carro, e os muitos metros que nos separavam foram feitos em cerca de meia hora. Chegados ao carro, pequeno almoço tomado e quando estávamos de saída eis que chegam cerca de uma dezena de caçadores. Mesmo a tempo!

    Seguimos em direcção à Portela do Homem, passando pelo Gerês, barragem de Vilarinho das Furnas e pelos marcos Miliares onde parámos para mais umas fotos. Chegámos ao ponto de partida para as Aranhas era 8.15h, descarregámos as mochilas e o MAntunes foi estacionar o cachemobile na fronteira.

    Reunidos todos novamente começámos a caminhada em direcção às Aranhas era 8.45h. E a partir daqui deixo o relato com o PH!:)

  • 24 clcortez // Oct 28, 2005 at 11:59

    "(e ClCortez), com neve é já a seguir! "
    PCardoso : diz hora e local que estou lá! Conta comigo!:) E de certeza que conseguimos arranjar mais pessoal para subir à Nevosa com neve!
    E grutas..idem!:)

    "The Green Deep e Rocky River de bastão !?!?!?!  Vocês ainda conseguem encontrar caches sem bastões? "
    Páscoa : que fique claro, eu não usei bastão, até porque não tenho. No entanto penso comprar pois acaba por ser útil nas mais diversas situações como já foi dito.:)

    Mais comentários se seguirão!:)

  • 25 bargao_henriques // Oct 28, 2005 at 13:31

    Antes de começar a história da caçada às Aranhas, vamos lá observar alguns dados sobre as 3 principais caches visitadas neste fim-de-semana:

    Stairways To Heaven:
    Cota de início -> 686m
    Cota da cache -> 1045m
    Desnível -> 359m
    Percurso de ida -> 2,53Km
    Percurso de regresso -> 2,58km
    Distância total -> 5,11km


    Fenda da Calcedónia (apenas até ao local da dormida):
    Cota de início -> 777m
    Cota da cache -> 869m
    Desnível -> 90m
    Percurso de ida -> 1,75Km
    Percurso de regresso -> 1,37km
    Distância total -> 3,12km


    "Tou às Aranhas"
    Cota de início -> 728m
    Cota da cache -> 1539m (a altitude mais elevada que registei foi 1553m)
    Desnível -> 825m
    Percurso de ida -> 12,34Km
    Percurso de regresso -> 11,64km
    Distância total -> 23,98km


    Podem sacar aqui um ficheiro ZIP com as tracks de ida e volta, gravadas durante esta nossa aventura…

    ——————————————————————————————

    Agora sim, podemos passar à 4ª E ÚLTIMA PARTE!!! (há uma pequena sobreposição temporal com o relato do Cláudio, mas as coisas coincidem…)

    Na manhã de Domingo, 23 de Outubro, acordámos pelas 6 e tal, com os barulhos que o MAntunes ia discretamente fazendo (do estilo: eu não vos quero acordar, mas… LEVANTEM-SE, PÁ!!!). Já estávamos com um atraso considerável em relação ao planeado…

    Depois de arrumarmos tudo e comermos a primeira refeição do dia, rumámos em direcção à Portela do Homem, através da estrada que serpenteia a encosta marginal à Barragem de Vilarinho das Furnas, mais ou menos coincidente com a "Via Nova", a geira romana que fazia a ligação entre Bracara Augusta e Asturica Augusta (Fiquei com alguma curiosidade em conhecer a Augusta… Os Romanos gostavam muito dela! )

    Chegados à ponte do Rio Homem, o MAntunes fez-nos o favor de ir deixar o carro ao antigo posto fronteiriço (o único local da região onde se pode parar o carro), regressando os 600m a correr, para não adiar mais a partida…

    De novo reunidos, com as mochilas às costas e bastões afilados e, apesar de sabermos a distância que nos separava do objectivo, não hesitámos em nos lançarmos ao caminho, vale a cima, rumo à Mina dos Carris e depois à cache, nosso principal objectivo do fim de semana! Começamos a subida às 8:45.

    O caminho ao longo da margem esquerda do Rio Homem, sempre verdejante e frequentemente cortado por linhas de água e cascatas, foi surgindo à nossa frente como uma contínua sucessão de pinturas lindíssimas mas que, afinal, não eram pinturas nem gravuras! Era mesmo a paisagem!

    Com um ritmo relativamente constante, mas não elevado, lá fomos subindo o vale em direcção aos Carris, vencendo cada quilómetro como se de uma peregrinação se tratasse, apenas interrompida por frequentes pausas momentâneas, para tirar mais uma fotografia ou recarregar o cantil.

    Lá pelos 9 quilómetros atingimos, finalmente, a zona mais aplanada no cimo do monte, onde os verdes lameiros, constantemente pintalgados de dejectos de vaca e cavalo, talvez Garrano, faziam antever uma paisagem cheia de vida. No entanto, e para nossa admiração, para além da vida vegetal, pouco mais observámos do que uma águia, um passarouco pequeno e um bode, no alto do Altar dos Cabrões, como que a confirmar o nome atribuído ao local pelos que há muito nos antecederam.

    Um pouco à frente deparámo-nos com os arruinados edifícios da extinta mina de Volfrâmio e Molibdénio que, hoje, não passam de fantasmas, lembrando as memórias dos tempos da guerra, em que a vida do local deveria ser frenética, na constante busca do minério que a muitos enriqueceu, e que a muitos mais tirou a vida…

    Não pudémos evitar uma paragem prolongada no local, deambulando por entre as ruínas, as entradas das galerias, os vestígios da actividade mineira, fotografando pedras, janelas e, ao longe, toda a paisagem que teimosamente insistia em não caber na objectiva.

    Por trás da mina, para norte, começavam-se já a erguer a Nevosa, domínio dos deuses locais ou apenas da nossa desejada cache… Depois de passada a barragem e atravessados os terrenos empapados, qual tundra periglaciar, começámos a descer em direcção à fronteira, com o peso na consciência, porque sabíamos que em breve teríamos de voltar a subir aquela encosta.

    A fronteira, local sempre mágico e cheio de simbolismo, terra de ninguém e de todos, zona de divisão entre o "nosso" e o "deles" que, afinal, nestas serranias sempre foi de todos! Que o digam os lobos e os bodes, senhores da serra e dos precipícios, que muitas vezes se terão interrogado sobre a utilidade daquele baixo murito de pedras, ou dos marcos graníticos… Coitado de quem os carregou, porque nada lhe disseram sobre a inutilidade da sua função ou sobre a mesquinhice dos políticos que marcam fronteiras sobre um pedaço de papel, como se fossem donos do mundo.

    Numa sátira sobre o tema, desafiando a vontade da vaca que obstinadamente decidiu evacuar essencialmente do lado espanhol do marco, o Cláudio ainda se deu ao luxo de aperfeiçoar o trabalho do nosso desaparecido amigo ruminante, alinhando mais uma ou duas "marcas de fronteira"… Haviam de ter visto!

    Ao chegar ao alto do último obstáculo, depois de uma subida íngreme, o mesmo Cláudio gritou a má notícia do momento, para nossa tristeza. Afinal aquele apenas era a penúltima subida, aquela que teimosamente se interpôs entre nós e o destino final. Decisão sensata imediata: VAMOS COMER!

    Com uma vista daquelas, até o almoço de improviso caiu melhor, parecendo um jantar faustoso. Bem, assim foi também por culpa do "chouriço do PH, curto e grosso", que bem soube naquela altura! Para a sobremesa ainda tivemos tempo para um texto de Miguel Torga, que eu levei preparado, evocando o passado daqueles montes.

    A Partir daqui, já cerca das 14h, partimos na demanda final, de forma tresmalhada. Primeiro o MCA, eu a curta distância, e como a cache não resistiu nem um minuto, logo nos seguiu o Cláudio e depois o MAntunes. OBJECTIVO CONQUISTADO!!!

    Apesar de os sacos que protegiam o tesouro se encontrarem ensopados, a cache pareceu sobreviver bem às alturas e às chuvadas dos dias anteriores.

    Feitos os logs, trocada uma série de TBs, prendas e afins, começámos a descer, pela mesma ordem da subida, enquanto o MAntunes ficou para trás a trocar os sacos danificados e a mandar mais uma das muitas mensagens para este site ou para a família e amigos.

    A partir deste momento, com satisfação de vencedores mas pernas já cansadas (bem, as do Cláudio talvez não…), empreendemos a jornada de regresso, agora com um espírito bem diferente e a passada mais rápida. Ainda assim tivemos tempo para nova passagem pela mina, dizendo adeus às serranias e às casas…

    O caminho descendente decidiu não facilitar muito o nosso trabalho e, à medida que íamos progredindo, carregados de mochilas e sacos de trash-out, as dificuldades e as limitações pessoais começaram a emergir, ainda que em muito diferentes graus, à imagem da condição física de cada um.

    O caminho esse, impávido e sereno, jazia sobre os nossos pés como se nada fosse, fazendo as pedras rolarem, como se fosse essa a última esperança de nos segurar por mais algum tempo por aquelas paragens.

    Mas não, nós estávamos decididos em voltar para casa, nem que para isso tivéssemos de acartar algumas dores serra abaixo (bem, falo por mim!)

    O Trajecto foi feito quase todo em silêncio, poupando o fôlego e as forças, optimizando o tamanho e a velocidade da passade, tentando chegar o mais rapidamente ao ponto inicial, porque a noite avizinhava-se e o caminho até casa era longo.
    No entanto, apesar de parecer que a Portela do homem "é já ali", depois de cada curva ou de cada árvore, parecia afinal que o caminho tinha aumentado novamente…

    Isso não nos impediu de fazermos diversas pequenas paragens, para tirar as últimas fotografias, como se fosse possível que as imagens que trouxemos gravadas na memória se desvanecessem com o tempo. Ainda assim, tirámos mais umas poucas, para mostrar à família e aos amigos, e para fazer inveja aos colegas geocachers!

    Foi às 18:15, 3 horas e meia desde que saíramos da Nevosa, que avistámos finalmente a trave que impede a passagem dos veículos, na entrada do caminho.

    Com poucas palavras e bastante cansaço, lá houve uma alma caridosa que pediu ao Cláudio (mais caridoso ainda…) para ir buscar o carro, que distava 600m dali… Ele, imparável, lá foi rapidamente, como se de nada se tratasse.

    Ao Pedro Cardoso, por ter colocado a cache, e aos colegas geocachers, sempre incansáveis na busca de notícias nossas e, principalmente, aos meus colegas de aventura, um MUITO OBRIGADO!

    A história do caminho de regresso deixo-a novamente para o MAntunes, pois eu não estava em condições de apreciar tal acontecimento…

  • 26 walcarr // Oct 28, 2005 at 13:40

    Que inveja…

  • 27 bargao_henriques // Oct 28, 2005 at 13:47

    Tens bom remédio… 😉

  • 28 danieloliveira // Oct 28, 2005 at 13:57

    … Exageradinho! 🙂

  • 29 Pascoa // Oct 28, 2005 at 15:15

    O trilho é sempre igual ao da foto ?

    Aí os meus joelhinhos.

  • 30 MAntunes // Oct 28, 2005 at 22:59

    Quê?! Tenho que voltar aqui, a escrever? Arranjaste-ma bonita, PH! 😉

    Ok, a gente também não ficou lá… Voltámos para Lisboa.

    Então, depois do Claudio simpatiamente lá foi buscar o cachemobil, enquanto eu fazia algum trashout na zona, o  PH recuperava o fôlego, trincava alguma coisa e nos oferecia o que ainda restava do chouriço dele (o que me levou a partilhar a última patanisca com o MCA), lá apareceu o Claudio e entrámos rapidamente, porque não se pode parar ali.

    Arrumadas as tralhas, desta vez foi a vez do MCA ir conduzir. Ele estava já recomposto e começou a conduzir com "alma". Tanta que alguns kms depois o PH pediu para parar porque estava a ficar (ainda mais) tonto. Saiu-se, respirou-se ar puro, descontraiu-se um pouco e recomeçou-se a viagem, agora mais calmamente, em direcção à Vila do Gerês.

    Passámos no Gerês mas nem parámos e ainda tive a oportunidade de apontar a casa abandonada onde está uma cache. Mas já tínhamos a nossa conta para o fds e estávamos ansiosos por chegar a casa e com muitos kms pela frente.

    O cansaço era tanto que acho que até perto de Braga, o único acordado era o MCA e a "CoPilota". Não me apercebi da passagem por Póvoa de Lanhoso mas, se me tivesse dado conta, o resultado era o mesmo. Siga. Esta vai ficar "encalhada" mais uns tempos.

    Ao passar por Braga ainda gritei mentalmente pelo Páscoa mas ele não me ouviu. Referi aos meus companheiros que o Páscoa devia morar por ali, naquele mar de luzes.

    Entrámos na A3. Seja porque o MCA não conhecesse esta AE ou porque estava outra vez cheio de "alma", confesso que me assutei quando ele abordou diversas curvas, ao fundo de rectas, com o piso molhado e trânsito a circular ao nosso lado, nas faixas à direita, todos a mais de 120 kms/h. "Cuidado!" Gritei eu, quando um tipo a circular à nossa direita, perdeu momentaneamente o controlo da viatura e, durante alguns segundos, ziguezagueou ao nosso lado.  O MCA, então, começou a abordar essas curvas com mais calma e o resto correu bem. 🙂

    Até a Mealhada não houve ocorrências dignas de registo.

    Nesta AS, parámos para reabastecer o depósito do carro, despejar os nossos e, finalmente, abrir a garrafa de Porto Calém que tinha andado esquecida no porta-bagagens.

    No parque de estacionamento desta AS, fizémos então um estendedal no chão, com a as nossas mochilas, cordas, e todas tralha que tínhamos para a organizarmos de modo a ser mais facil depois transferi-la para os outros carros, em Lisboa.

    Depois, abrimos a garrafa, bebemos (alguns fingiram) e saúdamos ao sucesso do nosso fds, enquanto passavam por nós dois carros da BT e, nos postos de abastecimento da AS estava outra viatura da GNR que, depois de ter abastecido… sai da bomba em marcha trás (!).

    Arrumado tudo novamente, é a vez do Claudio conduzir. Assim, foi e até Lisboa foi sempre a andar, sem incidentes e em bom ritmo.

    Chegados a Lisboa, já depois das 23H00, dirigimo-nos ao local da partida e foi o momento de descarregarmos a tralha do meu carro e cada um rumar a casa.

    Foi, sem dúvida o melhor fim de semana de Geocaching para mim! Visitámos alumas das caches mais atractivas caches que existem em Portugal! Vimos paisagens lindas e o facto de ter chovido nos dias anteriores, só veio embelezá-las ainda mais. Vivemos momentos únicos e divertimos-nos imenso. 🙂

    Aos meus companheiros de aventura, o meu MUITO OBRIGADO! 🙂

    A todos os que seguiram com interesse a nossa evolução e se preocuparam em saber se estávamos bem, o meu MUITO OBRIGADO!

  • 31 MAntunes // Feb 28, 2006 at 07:25

    Maaaaltaaa!!!

    O clcortez já fez os logs da "Fenda"! Sim, leram bem, "logs"! E que logs ele fez!!!  🙂

    Agora estou curioso por ler o das "Aranhas". 😉

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