Eu meto-me em cada uma…

2 Cotas - 2006/07/26

Nunca mais aprendo, é o que é!
A história resume-se em poucas palavras: queria fazer um site!

Deixemos para lá a questão do: para quê? Avencemos.
Não me estava a apetecer gastar dinheiro, por isso resolvi abrir o baú das velharias.
Quer dizer, tinha feito um upgradezito de algumas peças e tinha uma MB mesmo á mão. P4 a não sei quantos km/h, uns DIMMS meio tortos e uns discos pequenos a precisar de morrer condignamente. Só faltava o software.

Aqui há uns tempos, salvo erro num evento do ano passado um amigo andou a distribuir uns discos de uma coisa chamada Ubuntu. Bem… um software com este nome deixa-me logo de pé atrás, mas como sou avesso a deitar coisas fora, guardei. Nada melhor do que desenterrar aquilo e tentar instalar a coisa. A razão principal é uma sucessão de baboseiras que se podem resumir a coisa simples: como todos “odeiam” o Windows por causa dos buracos, da segurança, deixa cá utilizar uma coisa á prova de tudo e mais alguma coisa. Linux!
A minha primeira experiência com Linux tinha sido á uns anos quando tentei instalar um versão Mandrake ou RedHat, (por falar em nomes…). Para quem se diz independentes e alternativa ao Windows começam logo por utilizar o dito cujo para fazer as disquetes de arranque… Bem. Consegui por o ecrã a pedir-me, com ar cândido, para instalar uma mão cheia de coisas.
Entupi na cena dos discos. Diz ele: Configura o HD, please! Como? Supõem-se que deve ser o sistema operativo a configurar as coisas? Ou tenho que arranjar um operador para o fazer? Claro que os “importados” do Windows não funcionavam e muito menos a cena “tipo DOS” andava lá perto. Nada. Não configurei coisa nenhuma e ainda hoje estou para saber como é que a coisa se faz. Suponho que devia precisar conhecer o BIOS da MB e do HD. Coisa de escarafunchar numa qualquer linguagem esotérica nas entranhas do bicho. O mais próximo que andei foi quando abri um ou dois dos antigos, grandes de 5 Mb e que passaram a engrossar o monte dos avariados. Ainda me lembro de um colega que resolveu tirar uma radiografia ao disco do pc. Ficou com uma imagem espectacular que circulou durante muito tempo por ai. Claro que perdeu os dados que lá tinha e o cabelo por cima de uma orelha. A pelada já se nota pouco, mas os dados nunca mais os encontrou.

Já agora, para que sitio vão os dados que se perdem? Eu cá imagino a perda de dados assim como quando se morre. Há um paralelismo entre perdemos os dados e a alma. Se calhar no Céu há um armazém dividido ao meio por um corredor muito comprido. Dum lado prateleiras cheias de almas, do outro carradas de dados. Ou então uma fileira de servidores RAID tipo DATA CENTER, discos vermelhos = almas, discos verdes = dados. Ou então Ecopontos, saco verde = almas, saco vermelho = dados.

Mas voltando ao Ubuntu. A coisa até correu bem. O site é simpático e dá para descarregar tudo em ambiente janélico, versões novas, gravar em CD, enfiar tudo na drive e ficar com o pc cheio de software novinho em folha e que até tem bom aspecto. Digamos que cheguei a jogar umas horitas e a instalar uma impressora. Quer dizer, usar uma impressora que já estava instalada na rede do Guilherme.

Depois passei ao Apache. Lindo. Só vos digo que acabei com três, 3, (TRES), instalações diferentes paralelas da po’’a do software. Não me perguntem como é que foi que eu só dei por isso depois. Mas o que é certo é que não consegui chegar lá. Nem perto. Primeiro não havia sinais de nada instalado. Nadinha. Depois bem procurei pelas pastas. Pastas de pub, encontrei. Ainda hoje estou para saber para que raio é que eu queria Pub. Agora o sitiozito onde estava enfiado o Apache, nada. Não sei se era ou não fácil de configurar, primeiro tinha que o encontrar. Andei nisto umas semanas.
Não pensem que a culpa foi só do Ubuntu, foi também minha. Ninguém me mandou…
Descobri uma coisa gira no Linux. Não tem discos. Só tem lugares, sítios, folders. Ou seja, se queres saber onde esta qualquer coisa ou sabes, ou tens que conhecer quem saiba. Procurar? Deve ser possível, mas eu não sei como. E perdi a vontade.

Desisti. CD do Windows para cima e a coisa começou a ser mais reconhecível. Bem. Continuemos com a parvoeira.
Apache versão Windows? Sim, mas como é que se configura isto? Editar com o Notepad? Logo vi… E uma coisa assim tipo: Configuration Utility? Népia! Ok e ajuda. Encontrei! “Se quiser alterar a conf, coisa que desaconselhamos, substitua a string, (%$”(%$, no modulo OIFUOFSIOFH”. E já não é mau. Mas já agora, substituo com quê? E para que serve o modulo? E a Strig faz o quê? Áh… como a substituição é a unha, no Notepad, a coisa já estava no bom caminho. Só podia. Mas lá consegui por a coisa a bombar. E recebi uma pagina a dizer: IT WORKS. Caramba. Boa. Funcionava! O meu site é que não…
Não imaginam minha alegria quando vi o Apache alegremente a piscar! Moços, eu juro que coloquei cópias do site em tudo o que era directório, enchi literalmente o disco com clones. Já que não consegui fazer a me’da do software ler o sítio certo, tinha que ir á procura dele. Claro que a capacidade do disco, 40G menos o SO, acabou. Mas “It Works”!!!!! Até chorei.

Por falar em site. Normalmente é preciso haver site, a parte do conteúdo. Procurei também software grátis. (Já agora deixem-me perguntar uma coisa, se a maior parte do pessoal tem o I-MULA a esgalhar nas horas, porque é que se importa tanto com o software grátis? Não percebo.) Encontrei o NVU. Não… podia ser melhor… Só durou umas horas. Passei-me, literalmente, para o FP2003. Tem o maldito costume de bloquear de duas em duas horas, mas quando percebes o truque, gravar de 1h55m em 1h55m, a coisa até flúi bem. E tem uma vantagem enoooorme: não manda editar nada como notepad.

Eu se fosse á Mircosorft eliminava o notepad. Acabava logo com as veleidades á maioria da malta da polvora.

Pelo caminho ficou uma coisa chamada Xerver. Para quem não sabe é o projecto de fim da primária de um tipo qualquer paquistanês a estudar nos States. Devia ser servidor http e ftp. Devia. A cena do http ainda vá que não vá, mas do ftp é mentira. É tão passivo, tão passivo que ainda hoje estou á espera que comece.
Imaginem isto: há um folder que se chama “other files” e que fica dentro da directoria principal da instalação do tal de Xerver. É o sito onde ficam outros modos de arranque. Modos mais leves ou alternativos. Segundo as instruções o programa durante o arranque do Windows procurará na pasta principal o ficheiro de início, escolhido pelo utilizador segundo as suas preferências. Simples. Pois. Não funciona. Não reconhece nada e arranca sempre pelo “minimum resources” A bem dizer a diferença entre o minumum resources e o full resources é só a existência ou não de uma janela a dizer: “Xerver a bulir”. Seja como for, funcionou durante os testes. Consegui ir vendo o “meu site”. Mas como todos sabem, a coisa tipo “minimum resources” não dá pica, tem que ser tudo ássapar, o que eu queria é o full a esgalhar. Qualquê!

Nesta altura o Ubunto+NVU +Apache, estava reduzido a Windows+FP+Xerver… e eu a ficar reduzido á mais abjecta das dependências. Mas a coisa acabou em bem.

Então não é que o XP-Pro vem, de origem, com uma coisa chamada IIS v5.1?
E sabem vocês o que é? Um servidor de http! Configurável com GUI, helps, janelas, popups e essas enormidades! Só aceita 10 ligações simultâneas, que se podem martelar para 40, mas tomara eu que nos dias felizes de funcionamento do meu site ter esse numero por dia, quanto mais simultâneo…

Como toda a malta a quem eu melgava o juízo a pedir ajuda se punha logo a dissertar sobre segurança e outros defeitos do material a pagantes, tratei logo de arranjar todos os patches,  updates e downtools para o coisador. Acabei com tudo tão aferrolhado que até o FTP se recusa a dar sinal de vida, mas pelo menos a cena do IIs demorou só, mas só, 30/45 minutos a configurar. Juro. E bomba.

Demorei quase 4 meses a chegar, mas cheguei. Fartei-me de aprender coisas novas, (principalmente no Notpad). Confirmei que coisa com nome esquisito só pode ser esquisita. Que quando é seguro é porque ainda ninguém percebeu como é que se põe a funcionar. Ou então só é seguro porque ainda não funciona. Que quanto mais seguro menos gente sabe o que é. Que se fosse bom era pago. Que não vale a pena inventar a roda. Que podia ter aproveitado melhor o tempo.

Aiai, cada vez gosto mais do gajo dos portões.

20 responses so far ↓

  • 1 MAntunes // Jul 26, 2006 at 17:05

    Então… e qual é o endereço desse teu sitezinho? 🙂

  • 2 btrodrigues // Jul 26, 2006 at 18:21

    http://blog.claudiofranco.net/2006/07/26/o-fenomeno-ubuntu/

  • 3 danieloliveira // Jul 26, 2006 at 21:39

    Que tal um resumo de 3 linhas?

  • 4 Walrus // Jul 26, 2006 at 22:01

    https://shipit.kubuntu.org/

    Para além dos CDs, agora enviam tb uns autocolantes que ficam bem no portátil 😀

  • 5 2 Cotas // Jul 26, 2006 at 22:55

    "É uma questão de tempo até o próprio Debian ser baseado no Ubuntu"

    http://www.dsazevedo.homeip.net

    Mas cuidado, a coisa é fortemente Ardecor.

  • 6 MAntunes // Jul 27, 2006 at 00:16

    Aceditam que nunca tinha lido um Disclaimer?! Li o DizClaimer! todo do Diamantino. Todinho! A partir de agora vou ler os Disclaimers todos que me aparecerem e [inicio do fininho] a culpa é toda dele, do Diamantino[/fim do fininho]!

  • 7 lumacafi // Jul 27, 2006 at 00:50

    O ubuntu até é agradavel em Gnome, não me pus a inventar com XGL/Compiz. Kubuntu?!?? Kredo!

    Não faço ideia se o desktop trás o apache pré instalado, mas de certeza.. que sacando do apt-get que o gajo o mete logo a funcionar.
    E o Apache, sempre foi e sempre será configurado à lá pata.
    Basta editar o famigeirado httpd.conf que tipicamente reside no /etc/conf ou /etc/httpd/conf conforme a distro (não faço ideia onde mora no ubuntu).

    De resto.. para o que procuras.. server de ftp pra windows.. cerberus ftp.
    É um mimo.
    Havias de ter que instalar de raiz um Slackware em 97 pra veres o que era editar ficheiros… maldito vi.
    !q

  • 8 bargao_henriques // Jul 27, 2006 at 08:35

    Mas vocês importam-se de falar português ou, pelo menos, "geocachinguês"?! :-S

  • 9 SUp3rFM // Jul 27, 2006 at 11:48

    Quando vi a imagem do CITO ainda pensei que fosse para anunciar o evento… Mas ainda não é desta.

  • 10 ricardorsilva // Jul 27, 2006 at 11:49

    Por momentos, senti-me excluído e posto à parte por não saber o que é o "BIOS da Motherboard"…

    Lynx Pardinus

  • 11 vsergio // Jul 27, 2006 at 16:28

    "oh moço, venha cá abaixo falar da sua máquina!"

    Oh Sup3er, a ideia é essa. É fazer um Evento CITO na casa do gajo e mandar aquilo tudo pó lixo… A culpa disto tudo é Kernel!

  • 12 clcortez // Jul 27, 2006 at 18:47

    Ora viva,

    O C.I.T.O. é para avançar mesmo, falta marcar uma data.
    Surgiu um novo local junto à cache na Lagoa Azul ( Sintra ), parece que aquilo tem lá lixo que chegua para encher uns quantos sacos.
    Quem já lá esteve que diga de sua justiça.

    Peço desculpa por falar deste tema aqui, mas na verdade este artigo está na categoria Cache IN – Trash Out e é para falar sobre isto que serve. Se quiserem falar sobre este tema criarei um novo artigo ou um tópico no Fórum com as devidas votações.

    Cláudio Cortez

  • 13 danieloliveira // Jul 27, 2006 at 19:01

    ..tem sim sehor Claúdio!

  • 14 ricardorsilva // Jul 28, 2006 at 09:15

    Não sei ainda o local da cache, mas a Lagoa Azul precisa de uma limpezazita.

    Lynx Pardinus

  • 15 btrodrigues // Jul 28, 2006 at 09:21

    a cache está debaixo de um monte suspeito de pedras.

    pronto.

  • 16 danieloliveira // Jul 28, 2006 at 10:24

    Está debaixo do jeep dos bombeiros!

  • 17 2 Cotas // Jul 28, 2006 at 10:58

    Claro! É por isso mesmo.
    Com a quantidade de me´tha que meti naquele HD só podia fazer um CITO para conseguir por aquilo a funcionar.

    É a variante Cito da Informática: FORMAT C: /S

  • 18 ricardorsilva // Jul 28, 2006 at 10:59

    Vou procurar por baixo do monte de calhaus que estiver por baixo do jipe dos bombeiros!

    Isso dá bónus de dificuldade?

    Lynx Pardinus

  • 19 Linux // Aug 1, 2006 at 15:06

    Bem, realmente investiste uns meses numa "aventura" digital que poderia demorar umas horas apenas…

    Mas reconheço ousadia em "enfrentar" o Linux com tão poucas bases…
    Na verdade o Ubuntu é simples, o próprio "slogan" diz "Linux for human beings".

    A versão desktop do Ubuntu não tem o Apache mas para instalar basta executar, como root, apt-get install apache2
    Depois de instalado, basta colocares o teu "site" em /var/www ou, em alternativa, podes editar o parâmetro DocumentRoot (nos ficheiros de configuração) e modificar a path para o directório onde tens o site.
    Será também necessário modificar mais umas coisas no sentido de por exemplo evitar que apareça o nome do webserver que estás a usar no caso de um utilizador tentar aceder a uma página que não exista… segurança nunca é de mais.

    Poderás também instalar o PHP e MySQL permitindo dessa forma evoluir para sites dinâmicos e instalar soluções como por exemplo PHPNuke, Mambo, Drupal e outros gestores de conteúdos que tanto se vê pela net…

    No sentido de dar mais flexibilidade ao site podes instalar estruturas que te permitam gerir remotamente… instalar por exemplo um servidor de FTP (ProFTP) e administração remota por SSH.

    Se quiseres tornar o servidor mais seguro então aconselho a instalares uma firewall como por exemplo a Shorewall que trabalha com iptables (a configuração não é trivial).

    Por fim, este link http://ubuntuguide.org/wiki/Ubuntu é um bom sítio para começar.

    No Linux tudo o que são drives são vistas como directórios e encontram-se em /mnt mas no caso do Ubuntu estão em /media

    Só ficamos sem saber que solução é que usaste para o domínio do teu site… NO-IP?

    Leandro

  • 20 2 Cotas // Aug 2, 2006 at 11:58

    Ouvelá… a ideia era ajudar? 😉

    O meu principal problema é mesmo o "retrocesso" á linha de comandos e a relativa falta de um "quick guide" o que transformava a linha de aprendizagem numa coisa absolutamente linear e horizontal.
    O Ubuntu até me pareceu bem e foi relativamente fácil a configuração. Provavelmente por já ter muito de caixilharia. Onde eu tropecei foi mesmo na cena do Webserver, primeiro porque era mesmo a minha primeira aventura nessas zonas e depois porque tudo o que encontrei de help pressupunha algum tipo de conhecimento mínimo que eu não tenho, o que fazia com que estivesse a olhar para aquilo como se fosse um palácio.

    Protecção? Tenho a firewall do router e do XP em cima só com as portas obrigatórias abertas. Todos os serviços desnecessários, fechados, tenho backups e restrições na rede, o guest off e o admin é estranhíssimo principalmente na password. E rezo. Muito. Mas como o próximo passo é emigrar para o 2003Server pode ser que não seja nada até lá. Depois deve ser mais ou menos o mesmo. Tudo com dantes…;

    O resto foi como DynDNS por hardware, o router ai foi amigo.

    Mas como não podia deixar de ser, a dança contínua. Agora não tenho tempo que chegue para investir nos conteúdos e no "site"… Das duas uma, ou tenho um site com tudo o que é gadjet e sem conteúdo, ou então tenho conteúdos modelo num site meio fanhoso.

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