Sexta 13.

2 Cotas - 2007/04/13

 Tardinha manhosa.

 

Como de costume haverá alguma coisa que me fará recordar esta sexta de forma indelével. Ainda não sei o que é, mas saberei. Da pior forma possível. Da última vez foi as Finanças. Ainda hoje não sei bem o que me atropelou.

Por uma questão de protecção sou pessimista assumido. Assim só me podem acontecer coisa melhores do que aquilo que espero. Consequentemente pensei em alinhar no pessimismo sobrenadante. Apago os novos utilizadores deste site e faço de conta que somos só a mesma meia dúzia? Apago os founds da malta depois do Natal? Arrasto de volta o Rech, o Lobo e o esverdeado e recolho as restantes caches? Distribuo virtuais e Locationlesses por aí aos molhos?

E depois? O que fazia das pérolas de por ai vi deixar? Das enormidades que já se tentaram escrever? Das prosas infinitamente repetidas? Ou mesmo dos poemas magníficos que o meu amigo Hugo me dedicou? Não sei o que fazia deles mas que ficaríamos mais pobres, é verdade.

Eu ficava. Não tinha conhecido tantas e tão distorcidas personalidades, tantas e tão impróprias prosas, tantas e tão maléficas caches.

Mas isso sou eu. Que me perdoem os outros, os que não sendo excelentes, fazem parte do grupo dos “normais”, ou pelo menos do “pouco anormais”, ou mesmo dos “mediana e silenciosamente anormais”. Tenham calma, deles será o reino das caches.

Já me questionei sobre o céu das caches. Não que pense que todas as caches merecem o céu, mas sim daquele lugar, (magico?), para onde vão as caches quando morrem. Agora pergunto-me para onde irá a alma geocacher dos companheiros que nos abandonam.

Não é da alma do rapazito, ou da rapazita, mas sim a alma geocacher quando desaparece. Aquela coisa que deixamos para trás quando deitarmos o GPS para o canto e deixarmos de, religiosamente, ir aos sites, ao mail, aos logs, ás caches seleccionadas. Aquela coisinha que nos brilha no olhar e não nos deixa explicar ordeira e convincentemente afinal o que é isto.

Vai para o céu do geocaching, se tivermos sido bons owners? Vai para o Inferno se ajudamos a mugglerizar uma mão cheia de taparueres? Ou fica no purgatório dos DNF?

Por vezes olho para esta comunidade e penso numa opulenta refeição. Arroz de caril com feijão. Batatas fritas com manga e mel. Bife caramelizado de escabeche. Batido de pescada do alto com sorvete de broa de milho. E muitos rolos de papel de dupla face.

Provavelmente daqui a uns anos já nem nos lembraremos que existiu em tempos uma actividade que implicava procurar taparueres em meio inadequado. Vendo bem, olhamos com asco indisfarçável para os torneios medievais e respectivas cruzadas. Para já não falar na Inquisição. Porque é disso que se trata. Saiam, mas quando saírem façam-no pela porta da frente. Arrumem a tralha, despeçam-se, não só dos amigos, e deixem saudades.

Terças feiras trezes tem destas coisas.

E isto tudo, veio a propósito de quê?

 

9 responses so far ↓

  • 1 MAntunes // Apr 14, 2007 at 08:55

    …e deixaste-me com um nó na garganta. :'(

    Acontece. É preciso é saber tirar o melhor de cada momento, seguir em frente e não nos chatear-mos.

    Fica bem.

  • 2 prodrive // Apr 14, 2007 at 10:24

    S.O.S. 2 Cotas

  • 3 btrodrigues // Apr 14, 2007 at 16:04

    Há N maneiras possíveis de olhar para uma obra do Diamantino. Um texto, uma cache, um comentário. É difícil perceber por que caminhos tortuosos vagueia a consciência deste indivíduo. E tal como na vida real, há 3 versões para a mesma história. A nossa, a deles e a verdade.

    O que quer que seja, que não te afecte. Mai natha.

  • 4 FGV // Apr 14, 2007 at 17:20

    Faço geocaching ha 2 anos e meio (menos que tu, 2_Cotas)… Continuo a ter alegria quando encontro a caixita e abro-a curioso com o que tera la dentro. Mas sinto que, naturalmente penso, ja nao ha aquela sensacao de novidade que sentia quando comecei. Ao ritmo a que aparecem caches hoje em dia e ainda para mais vivendo eu na grande Lisboa (onde o ritmo de novas caches criadas roça quase o exagero), tenho perdido aquela sensacao de aventura, de estrada percorrida, e kms acumulados ate à cache mais proxima. Talvez por isso, tenho caches quase à porta, para as quais bocejo de indiferenca e que provavelmente nunca procurarei.

    Gostei do teu texto, 2_Cotas 🙂

    Francisco Vasco

  • 5 FGV // Apr 14, 2007 at 18:30

    acabei de escrever o comentario anterior e deu-me uma vontade enorme de ir procurar uma caixita. Aí vou eu… ;D

  • 6 lumacafi // Apr 14, 2007 at 20:49

    Comentando o comentário ( 😮 😮 😮 ) do FGV.
    Eu etendo o que dizes, no entanto perdes um bocado essa noção também em parte pq já fizeste bastantes caches “aventureiras” e como é natural caches dessas não aparecem todos dias.
    A grande maioria das caches urbanas ou “não aventureiras” tem o seu mérito.

    Lá está há sempre caches para todos os gostos e feitios 🙂

    Quanto ao texto inicial não faço ideia do que se trata.

  • 7 play mobil // Apr 15, 2007 at 13:47

    Nunca tinhamos visto nada tão bem escrito no GC.PT…
    Tal como o MAntunes, ficámos com um nó na garganta.
    Mesmo novatos, as tuas palavras tocaram-nos e trouxeram à baila um sentimento que muitas vezes nos assombra: O de que entrámos para este jogo (ou lá como lhe queiram chamar) exactamente num momento de viragem. Vimos tanta coisa mudar em menos de um ano e meio que nos questionamos muitas vezes sobre o que será o Geocaching daqui por mais um ano e meio…
    O mais curioso de tudo é que as guidelines são práticamente as mesmas, a interpretação e as atitudes é que parecem ser outras, ou seja: não foi o Geocaching que mudou, foi o que fizemos dele.

    Novos tempos.

  • 8 GlorfindelPT // Apr 15, 2007 at 23:28

    Faço geocaching desde Setembro de 2004. Já são 2 anos e meio… Já não tenho a “pica” que tinha antes. Já não tenho o tempo que tinha antes. Já não tenho a vontade de fazer todas as caches das redondezas. Mas continuo a querer conhecer locais “sobrenaturais” que só o geocaching me pode fazer conhecer. Continuo com vontade de ir às portas do rodão, de ir às minas dos carris, de ir ao topo do Pico, quem sabe até de visitar as Hydrothermal Vents. Tudo coisas que não fiz ainda por um motivo ou por outro. Enquanto houverem caches dessas à minha espera vou estar presente… mais ou menos activo.. mas presente.

    P.S.: Todas as caches têm pontos positivos e negativos e naturalmente apontei as caches que a mim mais me agradam, não tenho nada contra micros em meio urbano mas já não me despertam a mesma atenção.

  • 9 vsergio // Apr 16, 2007 at 11:27

    Eu continuo contente com isto. Isto continua a fazer-me bem, muito bem. Mesmo praticando, e infelizmente, só esporadicamente.
    Mas é evidente que a vida não é só isto. E a vida, às vezes, limita-nos.
    Acho mesmo o que é mais importante, para mim obviamente, é o prazer que cada cache pode proporcionar. E a cache não é só o local, ou o container…
    Neste mesmo dia que escreveste isto, oh Diamantino, estive mais o Bruno na Look No Further. Foi uma cachada linda. Adorei. Por tudo (e nem vale a pena dizer o quê). A felicidade entranhou-se em mim.
    Já o Paulo, o Gustavo e a Gabriela foram a seguir e não notei grande entusiasmo (pelo menos pelos logs, obviamente).
    É assim. Mas agora ficar com nós na Garganta não.

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