A minha primeira vez – Canyoning

MAntunes - 2010/07/19

O geocaching já me trouxe inúmeras situações e experiências novas que de outra forma, provavelmente, não passaria por elas. No fim-de-semana de 3 e 4 de Julho foi a vez de me estrear no canyoning.

O canyoning, segundo a definição no site da empresa que conduziu a actividade, a www.trilhos.pt, trata-se de “seguir o curso de água, ultrapassando cascatas, ressaltos, escorregas e lagoas cristalinas, descobrindo um mundo insólito e completamente selvagem.”

Começou-se no Sábado com a descida do Rio Escondido (a Sul da Albufeira de Vilarinho das Furnas, no Gerês) e constituiu basicamente em progredir por onde a água corre; se a água salta, nós saltamos, se a água se enfia por debaixo de enorme penedos e desaparece debaixo deles, nós enfiamo-nos por onde a água entra e vamos com ela.

Primeiro passo, junto a uma ponte romana, foi vestir os fatos de neoprene e capacete. Os fatos eram de espessura de 5mm e senti-me como se estivesse a vestir uma pele de morsa tal a sensação de protecção que tive.

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Depois foi o início do percurso, rio abaixo, com um poço algo extenso e oportunidade para os primeiros saltos para a água. Passámos por situações verdadeiramente incomuns e agradáveis ao seguir a água por debaixo dos penedos. Rio subterrâneo em frequentes situações, o Rio Escondido permitiu algumas apneias, passagem por túneis semi-submersos, onde apenas a cabeça tinha espaço fora de água, grutas com água, entradas em buracos nas rochas juntamente com a água para depois ficarmos dentro de um “balão de ar” com a água a cair em redor de nós numa espécie de cortina que nos envolvia. Um conjunto de situações extremamente agradáveis e de comunhão com o rio e a água.

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Este rio teve um pequeno rappel de 4 ou 5 metros a meio e, no fim, uma grande lagoa onde o pessoal mais experiente se entreteve com saltos para a água e o pessoal iniciante, praticou rappel numa pequena parede de 2m, sempre devidamente enquadrado e ajudado pelos monitores.

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Este treino e o assimilar das noções básicas do rappel (segundo o pouco que aprendi, três pontos de apoio constituídos pelos dois pés e pela mão esquerda, ficando a direita a segurar/controlar a corda para permitir a progressão) foi muito importante para mim para, no Domingo, enfrentar descidas mais a sério no Rio Caldo em Espanha.

No final, desta primeira descida de um rio subimos à aldeia onde estavam os carros e mudámos de roupa perante o olhar algo curioso dos locais mas sem que deixassem de ser simpáticos e acolhedores tal como o tinham sido no início quando íamos para o Rio. Um de nós até deixou o vidro do carro aberto (à “faroeste”! ) e, tal como nos filmes, nada aconteceu ao carro e aos haveres que lá estavam. 😉

O dia prosseguiu depois com merecido jantar perto de Rio Caldo, a povoação junto à Albufeira da Caniçada e, mais tarde, uma sessão de karaoke na Marina da Caniçada, bem regada com bebidas ao gosto de cada um.

 

No Domingo, era o dia do desafio mais interessante. Basicamente descemos o Rio Caldo, em Espanha, desde o topo da montanha até ao local onde está a cache ‘As pozas de Rio Caldo’.

Após o ajuntamento na povoação espanhola de Lobios, estacionámos os carros ao lado de um parque florestal e preparámo-nos para subir a montanha. Uma caminhada dura de quase uma hora, passando pela cache acima indicada e subindo sempre até ao topo.

Chegados lá, foi o prazer de uns mergulhos nas águas límpidas mas não muito frias do Rio Caldo. Depois, vestimos os fatos “pele de morsa”, colocámos os capacetes, colete e apito de sobrevivência para mim, boudrier e todo o equipamento necessário, incluindo linha de vida porque o desafio pela frente era sério. Aqui, uma ideia do equipamento individual e colectivo para esta actividade.

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Antes ainda de se começar a primeira descida que era nem mais nem menos a mais alta, os MitoriGeikos colocaram uma cache para os geocachers adeptos de uma das duas actividades que praticámos; canyoning e caminhadas em montanha. Ou para quem gosta de ambas, como nós. 😉 Se não houver problemas, a cache deve ser publicada brevemente.

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Depois enfrentámos o canyoning no Rio Caldo (ver no croquis da descida, o terceiro desnível com 35m e aqui uma descrição e fotos do canyoning da Fecha).

A descida mais extensa foi logo uma prova de fogo (na água…) e começou com todos os procedimentos de segurança com a abordagem ao ponto de início de descida feito com as linhas de vida em uso. Neste primeiro ponto, 3 espanhóis pediram licença para passar à frente porque, sendo um grupo pequeno, movia-se mais rapidamente do que nós que éramos 10 participantes acompanhados por 6 monitores. Passagem concedida e os espanhóis lá se foram com um “vale!”.

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Depois, foi uma sucessão de diferentes obstáculos, cascatas pequenas, médias grandes, saltos para a água (muita água corre naquele rio!), e muita diversão passámos naquele dia. Também tivemos um escorrega de uns bons metros e um belo salto de cerca de 6m para um poço bastante fundo. Eu preferi descer de rappel mas houve verdadeiros especialistas nos saltos para a água.

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Durante todo o percurso, vimos a equipas de monitores trabalharem arduamente para que nada falhasse, a montar vias, a desmontar vias… a apoiar os participantes, sincronizar passagens.. uma canseira… mas tudo impecável e muita simpatia da parte deles.

Almoçámos, então, sensivelmente a meio do percurso, com a companhia de um sapo que pousou na bota de um de nós.

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Após o almoço houve algumas das descidas mais exigentes incluindo uma travessia de parede granítica, em suspensão, e que foi a parte mais complicada para mim porque tinha que subir o corpo, à força de braços, para prender o mosquetão na via presa, quase horizontalmente na rocha. E o precipício, de mais de 20m, ali mesmo debaixo do fundilho das minhas calças – perdão, da minha “pele de morsa”. 🙂

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Na parte em que as descidas em cascata terminaram, começou a secção de rio mais horizontal e que costuma ser explorada pelos banhistas que procuram as pozas de Rio Caldo. Nessa parte tirou-se a foto de grupo dos participantes e terminou um belo dia de adrenalina e adesão a um novo hobby extremamente excitante e agradável.

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A parte técnica não é muito complicada. Apenas três ou quatro recomendações de colocação e uso das mãos e pés e rapidamente fiquei capaz para as 10 cascatas do Rio Caldo. Basicamente, se no chão se anda na perpendicular ao mesmo tempo, no rappel o corpo também deve andar perpendicular à parede que se desce. Tenho a noção de que devo ser mais descontraído, usar mais a mão esquerda para equilibrar o corpo e segurar-me na parede para evitar embates e de que devo avaliar mais os obstáculos imediatamente a seguir, olhando mais vezes para baixo. Também devo levantar mais os pés e não os arrastar tanto pela parede abaixo. Está aqui um pequeno filme da minha lenta e insegura progressão, com desequilíbrio no final e tudo, o que me custou o “arranhão do costume” nas mãos – devia ter usado a mão esquerda para me apoiar.

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Agradeço aos MitoriGeikos a espectacular experiência que tive e o facto de ter ficado adepto de mais um hobby. 🙂

Dentro de duas semanas, devo estar a descer outro rio agora ali para os lados de Aveiro, para viver mais um fim-de-semana de canyoning e caminhadas e para afinar estas recomendações.

Apenas acrescento que quem visitou a ‘Six feet under’ e sentiu que ultrapassou as suas barreiras psicológicas e com isso se sentiu bem, este desafio é outra oportunidade para voltar a sentir essa sensação boa… numa outra dimensão! Asseguro-vos! 😉

– Manuel

4 responses so far ↓

  • 1 Silvana // Jul 19, 2010 at 14:54

    Não haja dúvida que foi uma aventura repleta de adrenalina!
    Cada vez mais aprecio estes fds que aliam actividades que vão para além do geocaching.
    Depois da “six feet under” em 2008 e da aventura 5 stars rated deste fim-de-semana, devo ter ultrapassado quase todas as minha barreiras psicológicas. Vá lá!…. Ainda falta a das cobras! Mas nem o Pcardoso teve sucesso. 😉

    Parabéns pela narrativa, pelas fotos fantásticas e pelo vídeo!
    Quase parece que estamos lá!… Ou pelo menos, dá vontade!

  • 2 geopate // Jul 19, 2010 at 16:21

    Excelentes momentos! Deu gosto ver as fotos e a reportagem! 🙂

  • 3 Sal // Jul 20, 2010 at 16:29

    Fantástico Manuel! 🙂

  • 4 MAntunes // Jul 20, 2010 at 20:52

    Passei por sensações indescritíveis naqueles dois dias! 😀

    Estou ansioso por experimentar a Frecha da Mizarela. 😉

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